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Impasse na COP30: ausência de combustíveis fósseis no texto trava acordo final

A palavra "fósseis" não aparece no texto principal do compromisso

Cerca de 30 países criticaram veementemente o rascunho de acordo
Cerca de 30 países criticaram veementemente o rascunho de acordo Foto : PABLO PORCIUNCULA / AFP

A eventual saída dos combustíveis fósseis está bloqueando o desfecho da Conferência do Clima (COP30) em Belém nesta sexta-feira (21). Cerca de 30 países criticaram veementemente o rascunho de acordo proposto pela presidência brasileira. A palavra "fósseis" não aparece no texto principal do compromisso, publicado no que seria o último dia oficial do evento.

Na quinta, a COP viveu momentos dramáticos com um incêndio na área dos pavilhões nacionais que obrigou a evacuação da sede em meio às negociações, resultando em cerca de 20 pessoas intoxicadas pela fumaça.

Ceticismo Europeu

"A conferência não pode terminar sem uma rota clara, justa e equitativa para abandonar os combustíveis fósseis no mundo", declarou em coletiva de imprensa a ministra colombiana do Meio Ambiente, Irene Vélez, representando os cerca de trinta países.

O comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, expressou grande ceticismo:

"O que está sobre a mesa agora é inaceitável. E dado que estamos muito longe de onde deveríamos estar, isso pode acabar sem acordo, sinto dizer".

Os quase 200 países presentes na conferência aprovaram há dois anos, na COP28 de Dubai, um chamado histórico para efetuar uma "transição" das energias fósseis, as principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa. Apesar de não estar previsto, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva propôs em Belém um passo adiante para iniciar esse delicado processo, enfrentando a oposição de poderosos produtores como a Arábia Saudita, e de numerosos países emergentes consumidores.

Os Estados Unidos, o principal produtor de petróleo do mundo atualmente, não estão sequer presentes em Belém.

Bloqueadores da transição

"Não pedimos um documento vazio, um anúncio vazio", declarou Vélez, anunciando que seu país organizará uma conferência internacional para impulsionar o abandono dos combustíveis fósseis nos dias 28 e 29 de abril do próximo ano em Santa Marta.

A ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, identificou os principais bloqueadores: "Quem são os que mais bloqueiam? Todos os conhecemos. São os países produtores de petróleo, é claro. Rússia, Índia, Arábia Saudita. Mas também se juntam a eles muitos países emergentes". O ministro alemão do Meio Ambiente, Carsten Schneider, alertou que "as negociações serão difíceis" e que "o texto não pode permanecer como está".

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Incidentes e desafios operacionais

Após o incêndio desta quinta, a presidência brasileira do evento e a ONU pediram em uma mensagem conjunta que os delegados voltassem à mesa de negociações "em um espírito de determinação e solidariedade".

A COP30, que começou em 10 de novembro, sofreu vários incidentes. A presidência brasileira da COP recebeu na semana passada uma queixa da ONU depois que um protesto indígena forçou o dispositivo de segurança dentro do recinto.

O chefe da ONU para o Clima, Simon Stiell, queixou-se da segurança, mas também de infiltrações de água, que, segundo o governo brasileiro, foram corrigidas.