A imprensa francesa se referiu nesta segunda-feira ao segundo turno nas eleições presidenciais com o liberal Emmanuel Macron (23,86%) e a candidata de extrema-direita Marine Le Pen (21,43%) como um "terremoto" político que varreu com os partidos tradicionais. Os candidatos dos partidos tradicionais, o conservador François Fillon e o socialista Benoit Hamon deixam o bipartidarismo em estado de decrepitude, dizem os jornais do país, segundo a Agência Télam.
O jornal Le Monde destacou: "Macron-Le Pen: as duas Franças. Pela primeira vez na V República (em referência à quinta e atual constituição republicana da França, em vigor desde 4 de Outubro de 1958), os dois grandes partidos são eliminados no primeiro turno".
"Big bang ou salto no escuro", destaca o diário financeiro Les Echos, que sustenta que a eleição é uma expressão de rompimento do sistema, que seria reinventado a partir de agora. "Os eleitores votaram no domingo para virar a página da vida política francesa que se estruturou desde o começo da V República", afirma o jornal.
O diário liberal L´Opinion destaca que "esta é uma nova página na história da V República que os eleitores abriram nesse domingo com a eliminação de todos os representantes presidenciais dos partidos políticos que, de uma maneira ou de outra, haviam governado nas últimas décadas".
"Este resultado é um terremoto, cujas réplicas serão sustentadas no tempo", declarou o jornal católico La Croix.
"Os franceses despacharam a esquerda e a direita lado a lado, para provar algo novo", disse L´Alsace.
"O nocaute da direita", lamentou o diário conservador Le Figaro, que destaca que depois de cinco anos, o desejo de uma alternativa nunca tinha sido "tão potente" a ponto de deixar a direita fora do segundo turno pela primeiroa vez na história.
O Le Parisien, que coloca Macron como favorito, afirma que ele está a caminho do poder. "Macron não ganhou, mas conseguiu seu objetivo: pulverizar a velha política", opinou o Ouest-France.
"No segundo turno, portanto, se oporão o liberalismo social e o nacionalismo, a abertura ou o fechamento, a Europa unida ou só a França", diz o Libération, acrescentando que "a princípio, graças aos republicanos de todos os partidos,a eleição do primeiro (Macron) é favorita em detrimento da madrasta feia". O jornal de esquerda, no entanto, introduz matizes. "A Frente Nacional (de Macron) alcança a pontuação mais alta da sua história em eleições presidenciais. Mas se a luta for entre o povo e a elite, quem pode apontar com certeza o resultado?", sustentou, pedindo aos cidadãos "vigilância".
O comunista L´Humanité destacou a palavra "nunca" em letras garrafais, com a imagem de Marine Le Pen e uma convocação: "façamos o possível para bloquear seu caminho".
Imprensa francesa destaca "terremoto político" que varreu partidos tradicionais
Candidato de centro Emmanuel Macron é favorito para vencer ultradireitista Marine Le Pen no segundo turno na França