Mundo

Imprensa francesa destaca "terremoto político" que varreu partidos tradicionais

Candidato de centro Emmanuel Macron é favorito para vencer ultradireitista Marine Le Pen no segundo turno na França

Marine Le Pen irá disputar segundo turno nas eleições na França com Emmanuel Macron
Marine Le Pen irá disputar segundo turno nas eleições na França com Emmanuel Macron Foto : Montagem sobre fotos de Guillaume Souvant, Eric Feferberg / AFP / CP
A imprensa francesa se referiu nesta segunda-feira ao segundo turno nas eleições presidenciais com o liberal Emmanuel Macron (23,86%) e a candidata de extrema-direita Marine Le Pen (21,43%) como um "terremoto" político que varreu com os partidos tradicionais. Os candidatos dos partidos tradicionais, o conservador François Fillon e o socialista Benoit Hamon deixam o bipartidarismo em estado de decrepitude, dizem os jornais do país, segundo a Agência Télam.

O jornal Le Monde destacou: "Macron-Le Pen: as duas Franças. Pela primeira vez na V República (em referência à quinta e atual constituição republicana da França, em vigor desde 4 de Outubro de 1958), os dois grandes partidos são eliminados no primeiro turno".

"Big bang ou salto no escuro", destaca o diário financeiro Les Echos, que sustenta que a eleição é uma expressão de rompimento do sistema, que seria reinventado a partir de agora. "Os eleitores votaram no domingo para virar a página da vida política francesa que se estruturou desde o começo da V República", afirma o jornal.

O diário liberal L´Opinion destaca que "esta é uma nova página na história da V República que os eleitores abriram nesse domingo com a eliminação de todos os representantes presidenciais dos partidos políticos que, de uma maneira ou de outra, haviam governado nas últimas décadas".

"Este resultado é um terremoto, cujas réplicas serão sustentadas no tempo", declarou o jornal católico La Croix.

"Os franceses despacharam a esquerda e a direita lado a lado, para provar algo novo", disse L´Alsace.

"O nocaute da direita", lamentou o diário conservador Le Figaro, que destaca que depois de cinco anos, o desejo de uma alternativa nunca tinha sido "tão potente" a ponto de deixar a direita fora do segundo turno pela primeiroa vez na história.

O Le Parisien, que coloca Macron como favorito, afirma que ele está a caminho do poder. "Macron não ganhou, mas conseguiu seu objetivo: pulverizar a velha política", opinou o Ouest-France.

"No segundo turno, portanto, se oporão o liberalismo social e o nacionalismo, a abertura ou o fechamento, a Europa unida ou só a França", diz o Libération, acrescentando que "a princípio, graças aos republicanos de todos os partidos,a eleição do primeiro (Macron) é favorita em detrimento da madrasta feia". O jornal de esquerda, no entanto, introduz matizes. "A Frente Nacional (de Macron) alcança a pontuação mais alta da sua história em eleições presidenciais. Mas se a luta for entre o povo e a elite, quem pode apontar com certeza o resultado?", sustentou, pedindo aos cidadãos "vigilância".

O comunista L´Humanité destacou a palavra "nunca" em letras garrafais, com a imagem de Marine Le Pen e uma convocação: "façamos o possível para bloquear seu caminho".