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Impulsionadas por movimentos anti-imigração, bandeiras nacionais proliferam no Reino Unido

Iniciativa se espalhou por cidades e vilarejos

Um membro do Worcester Patriots amarra uma bandeira do Reino Unido em um poste de luz em Worcester
Um membro do Worcester Patriots amarra uma bandeira do Reino Unido em um poste de luz em Worcester Foto : Paul Ellis/ AFP/ CP

Nos últimos anos, o Reino Unido tem testemunhado um aumento significativo na exibição de bandeiras inglesas e britânicas em postes de iluminação e pontes de rodovias. Tradicionalmente usadas em eventos esportivos e celebrações reais, essas bandeiras agora fazem parte de um movimento impulsionado por um crescente sentimento anti-imigração, com ligações à extrema direita.

O Movimento por Trás das Bandeiras

A iniciativa de exibir as bandeiras, que se espalhou por cidades e vilarejos, é vista por seus apoiadores como uma demonstração de orgulho nacional. Carla Kennedy, membro do grupo Worcester Patriots, defende que o movimento é uma resposta à imigração irregular. "Os britânicos começaram a se expressar, já tiveram o suficiente. Somos contra a imigração irregular e este movimento é a manifestação disso", diz ela, acrescentando que isso não se trata de racismo, mas de um sentimento de orgulho nacional.

O principal grupo por trás dessa onda é a "Operation Raise the Colours". Um de seus co-fundadores, Andy Saxon (nome real Andrew Currien), ligado ao ativista de extrema direita Tommy Robinson, afirma que o movimento já hasteou um milhão de bandeiras. Outros nomes da extrema direita, como Paul Golding, líder do Britain First, também se envolveram na campanha.

Acusações de Racismo e Divisão

Apesar das alegações de patriotismo, associações antirracistas como a ONG "Hope not Hate" criticam a iniciativa, afirmando que ela serve para semear divisões. "O fato de que essa onda de ativismo seja amplamente organizada por racistas e extremistas levanta questões sobre as motivações por trás disso", denuncia a ONG.

O professor de política da Universidade de Cambridge, Michael Kenny, explica que, embora a bandeira inglesa tenha sido associada à extrema direita no passado, ela se tornou uma forma popular e "banal" de expressar apoio em eventos esportivos na década de 1990. No entanto, o recente ressurgimento está ligado a uma "insatisfação e frustração" com a política governamental de imigração e acolhimento de solicitantes de asilo.

O primeiro-ministro Keir Starmer expressou sua preocupação com o uso das bandeiras "com o único propósito de dividir", chamando isso de uma forma de "desvalorizá-la". A discussão sobre o tema ganhou força em agosto, quando surgiram acusações de que as autoridades locais de Birmingham teriam ordenado a retirada das bandeiras enquanto permitiam a exibição de bandeiras palestinas, alegação que o conselho municipal negou.

A exibição de bandeiras, em um cenário de crescente apoio ao partido anti-imigração Reform UK, se tornou um símbolo de um debate mais amplo sobre imigração e identidade nacional no Reino Unido.

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