O incêndio que atinge a emblemática floresta de Fontainebleau, nos arredores de Paris, já devastou mais de 1.300 hectares em 24 horas, informaram as autoridades na noite desta segunda-feira (13), ao anunciar a prisão de dois suspeitos de terem provocado as chamas.
O fogo começou no domingo, em meio à onda de calor que atinge a região. A floresta, localizada a cerca de 60 quilômetros da capital francesa, possui extensas áreas de samambaias e coníferas, vegetação altamente inflamável. Todos os anos, o bosque recebe aproximadamente 15 milhões de visitantes.
O "foco principal" já consumiu cerca de 1.200 hectares. Um segundo incêndio, que surgiu na tarde de segunda-feira nas proximidades da cidade de Fontainebleau, de 15 mil habitantes, destruiu outros 100 hectares, detalhou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, em entrevista ao canal France 2.
O incêndio já figura entre os três maiores registrados no norte da França nas últimas duas décadas. "Todos trabalham com um único objetivo: controlar este incêndio", afirmou o prefeito Pierre Ory durante entrevista coletiva em Noisy-sur-École, onde foi instalado o centro de comando das operações.
A dimensão do incêndio levou ao emprego de quatro hidroaviões Canadair, utilizados pela primeira vez na região parisiense, além de duas aeronaves do tipo Dash e três helicópteros equipados para combate ao fogo. Ao longo do dia, foram realizadas 187 descargas de água, informou Jean-Marc Sicard, comandante das operações de resgate.
Possível ação criminosa
No início da noite, cerca de 600 bombeiros permaneciam mobilizados no combate às chamas por terra. Segundo Sicard, o incêndio continuava avançando devido às condições meteorológicas desfavoráveis, apesar de uma breve melhora no clima.
As autoridades alertam que, mesmo após o controle das chamas, serão necessários vários dias ou até semanas para extinguir completamente os focos e evitar novos incêndios.
Sobre a origem do fogo, Laurent Nuñez afirmou que foram identificados cerca de dez focos iniciais em um perímetro de aproximadamente um quilômetro, o que reforça a hipótese de incêndio criminoso. Mais tarde, o ministro confirmou a prisão de dois suspeitos. A investigação está sob responsabilidade da Promotoria de Fontainebleau.
Em todo o país, 59 pessoas foram detidas por envolvimento em incêndios, tanto intencionais quanto acidentais. Destas, sete permanecem em prisão preventiva, informou Nuñez. Mais cedo, o presidente francês, Emmanuel Macron, havia declarado que "todos os meios foram mobilizados" para enfrentar a emergência.
Na cidade de Fontainebleau, cerca de mil pessoas foram evacuadas, entre elas moradores de um acampamento localizado na borda da floresta.
Sophie Guiot, que passou a noite em um salão comunitário na pequena cidade de Vaudoué, relatou à AFP que acordou cercada por uma espessa fumaça que irritava os olhos e a garganta. Ela afirmou temer que os bombeiros não consigam proteger todas as residências da região.
Segundo a prefeitura, não há vítimas e os danos materiais permanecem limitados até o momento. Ainda assim, o vice-prefeito de Le Vaudoué, Didier Buguinet, afirmou nunca ter visto um incêndio dessa magnitude em três décadas. "Vamos chorar pelo nosso bosque", lamentou.
Como medida preventiva, a prefeitura proibiu, nesta segunda-feira, o trabalho de agricultores nos campos da região e interditou o acesso de moradores e visitantes a todo o maciço florestal.
A França enfrenta atualmente sua terceira onda de calor desde o fim de maio, condição que favoreceu diversos incêndios registrados em diferentes regiões do país na última semana. Desde o início do ano, os incêndios já destruíram cerca de 32 mil hectares, área superior à registrada em toda a temporada de 2025, embora o país ainda esteja em meados de julho.
De acordo com o serviço meteorológico Météo-France, o calor intenso deve persistir em boa parte do território francês pelo menos até terça-feira. Em Fontainebleau, a previsão é de máxima de 35°C nesta segunda-feira e de 36°C na terça.