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"Interrompemos o avanço mortal de Kadhafi", anuncia Obama

Presidente diz que EUA tinham obrigação de agir e passa responsabilidade para a Otan

Interrompemos o avanço mortal de Kadhafi, anuncia Obama
Interrompemos o avanço mortal de Kadhafi, anuncia Obama Foto : Saul Loeb / AFP / CP
Em discurso oficial dirigido à nação na noite desta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que a coalizão foi bem sucedida em interromper o avanço das tropas de Muammar Kadhafi sobre o povo da Líbia. Ele justificou a rápida ação tomada pelo fato de o país ter a habilidade e, portanto, a responsabilidade de impedir um massacre. "Como presidente eu recusei a possibilidade de ver imagens de um banho de sangue para iniciar minha ação", afirmou.

"Hoje posso afirmar que interrompemos o avanço mortal de Kadhafi", garantiu Obama. "Em apenas um mês, os EUA mobilizaram a coalizão, preveniram um massacre, interromperam o avanço de um exército e criaram uma zona de segurança para o povo líbio", detalhou o presidente. Ele citou, ainda, a demora das nações para impedir a violência na Bósnia, nos anos 90. "Quando pessoas estavam sendo brutalizadas na Bósnia, levou mais de um ano para as forças do mundo interromperem o massacre", criticou.

Obama reforçou, também, que o governo americano fez exatamente o que se comprometeu com a população a fazer, evitando a escalada de violência na Líbia, mas sem colocar em risco as tropas do país. "Eu disse que não colocaríamos tropas de solo na Líbia e nós cumprimos esse juramento", frisou o presidente. "Agora passamos a responsabilidade para Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Tenho certeza que nossa coalizão continuará pressionando Kadhafi e seu regime, mas agora os EUA passam a um papel de apoio, reduzindo os riscos e custos para nossas forças militares."

"Os EUA não deveriam ser pressionados a ser a polícia do mundo, principalmente com tantos problemas internos que nós mesmos precisamos resolver", ponderou Obama. "Mas isso não pode ser argumento para nunca agir, quando isto for a coisa certa a fazer", enfatizou o presidente, respondendo a críticas do Partido Republicano, por ter iniciado a ação sem colocar a questão em consultar no Congresso. "Nós tínhamos a habilidade única de parar aquela violência e também tínhamos a habilidade de parar as forças de kadhafi sem colocar a vida de soldados em risco, no solo. Não auxiliar humanos naquelas circunstâncias seria trair o que nós somos, intimamente."

Obama salientou que, a partir da entrada da Otan, os EUA vão deixar a linha de frente dos ataques aéreos. "Não é que nosso trabalho esteja cumprido", comentou. "Precisamos entregar alimento para os famintos e cuidados médicos para os feridos. Precisamos fazer com que o dinheiro bloqueado do regime, no exterior, seja devolvido ao povo líbio. Ele não é nosso, não é do mundo e não é de Kadhafi, é da Líbia", sublinhou o presidente.

"Nossa missão militar é tão somente focada em salvar vidas. Nosso fogo não está mirado em derrubar um ditador, mas em salvar seu povo. Kadhafi ainda não saiu do poder e até que ele saia, a Líbia vai permanecer em perigo", alertou o estadista. "Além disso, se ele cair, o país estará fraturado, numa transição difícil após 40 anos de governo ditatorial.  A historia, porém, não está a favor de Kadhafi, com o espaço e tempo que conseguimos ganhar para o povo líbio, eles vão perseverar em sua busca de liberdade."

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