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Investigadores internacionais renunciam em Hong Kong

Grupo de especialistas apura casos de violência policial em protestos

Em comunicado, grupo denuncia "falta de independência" para atuação
Em comunicado, grupo denuncia "falta de independência" para atuação Foto : Nicolas Asfouri / AFP / CP Memória

Um grupo de especialistas internacionais que participariam na investigação sobre a violência policial contra os manifestantes pró-democracia em Hong Kong anunciou nesta quarta-feira sua renúncia diante da impossibilidade de trabalhar livremente, o que significa um revés para o executivo pró-chinês.

No mês passado, os especialistas, eleitos pelo governo de Hong Kong redigiram um comunicado, que não publicaram, mas que foi veiculado pela mídia. No texto, eles denunciaram o problema de sua falta de independência. Eles também afirmaram que para obter uma investigação confiável é preciso um organismo totalmente independente da polícia e não a Autoridade de Supervisão da Polícia de Hong Kong (IPCC), que era a encarregada.

Finalmente, nesta quarta-feira, os especialistas anunciaram que sua colaboração com a IPCC não prosperou. "Consequentemente, o grupo independente de especialistas (Independent Expert Panel, IEP) decidiu renunciar oficialmente", informou o comunicado. "Chegamos à conclusão de que há grandes lacunas patentes nas capacidades e nas possibilidades de investigar de maneira independente do IPCC", escrevem em sua carta.

O analista político Ma Ngok disse que a decisão desses especialistas confirma as dúvidas dos habitantes de Hong Kong sobre a capacidade da IPCC para esclarecer o que está acontecendo nas ruas. "A estratégia do governo de fazer crer que estava realizando um relatório independente graças a esses especialistas estrangeiros fracassou", disse Ngok à AFP.

Reivindicação das ruas

A investigação sobre a atuação da polícia se tornou uma das principais reivindicações do movimento pró-democracia, que há seis meses protesta nesse território chinês semiautônomo. O executivo de Hong Kong, dirigido por Carrie Lam, sempre rejeitou essa demanda.

O grupo de investigadores é presidido por Dennis O'Connor, um ex-magistrado especialista do direito de manutenção da ordem, e incluía especialistas de outros países como Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia. Em dezembro, o diretor do IPCC, Anthony Neoh, criticou os especialistas da mídia chinesa, considerando que "não entendiam a situação em Hong Kong".

Segundo seus críticos, o IPCC não tem o poder de investigação necessário, aceita as estatísticas da polícia sem questioná-las e não é capaz de questionar as forças de segurança. O organismo pode tratar somente das queixas transmitidas pela própria polícia e não pode convocar testemunhas nem pedir a um juiz que obtenha documentos que não tenham sido transmitidos antes.

Segundo os especialistas, as restrições "não permitem responder às expectativas dos cidadãos de Hong Kong". A população precisa de "um organismo encarregado de supervisionar um policial que opere em uma sociedade que aprecia as liberdades e os direitos".

O movimento pró-democracia, que na segunda-feira entrou em seu sexto mês, começou com os protestos contra um projeto de lei que autorizaria as extradições para a China continental. O texto foi enterrado, mas os manifestantes ampliaram suas reivindicações para pedir mais democracia.