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Irã aceita reduzir programa nuclear em acordo com potências mundiais

Obama celebrou diminuição do risco atômico, enquanto Israel criticou "erro histórico"

Irã aceita reduzir programa nuclear em acordo com potências mundiais
Irã aceita reduzir programa nuclear em acordo com potências mundiais Foto : Fabrice Coffrini/AFP/CP
As grandes potências e o Irã chegaram, neste domingo, a um acordo histórico sobre o programa nuclear iraniano, apesar das divergências sobre a crucial questão do enriquecimento de urânio. O anúncio veio depois de mais de quatro dias de negociações em Genebra entre o Irã e o Grupo 5+1, composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia) mais a Alemanha.

"Chegamos a um acordo sobre um plano de ação", declarou a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, cercada por todos os ministros que participaram das negociações. Simultaneamente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou em Washington que o acordo "fecha o caminho mais óbvio" para a fabricação de uma bomba atômica pela República Islâmica do Irã. "Pela primeira vez em quase uma década, paramos os progressos do programa nuclear iraniano e partes muito importantes do programa serão canceladas", disse.

Ele acrescentou que se o Irã não cumprir com os termos acordados, o alívio das sanções, equivalente a US$ 7 bilhões, será descartado, levando à asfixia da economia iraniana. Por sua vez, o guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei e o presidente iraniano, Hassan Rohani, elogiaram este pacto que "abrirá novos horizontes". "É preciso agradecer a equipe de negociadores nucleares por esta conquista. Deus, as preces e o apoio da população são, sem dúvida, a razão para este sucesso", declarou Rohani.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, que dirigiu as negociações ao lado de Ashton, as discussões "foram concluídas com êxito", reconhecendo que o Irã "tem o direito inalienável" de prosseguir com o enriquecimento de urânio. O país enriquece, atualmente, urânio a 20%, um nível que levanta suspeitas de que seu objetivo é criar armas nucleares (o que requer um enriquecimento a 90%), pois estaria acima dos limites para fins estritamente civis.

Apesar do clima positivo entre os líderes da ONU, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamou neste domingo o acordo sobre o programa nuclear iraniano um "erro histórico". "O mundo se tornou mais perigoso, porque o regime mais perigoso do mundo deu um passo significativo para a aquisição da arma mais perigosa do mundo", insistiu. "Israel não está ligado a este acordo", advertiu o premiê, assegurando que o "regime iraniano está comprometido em destruir Israel".