Mundo

Irã acusa EUA de sequestrarem cientista nuclear

Shahram Amiri desapareceu em maio, quando fazia peregrinação pela Arábia Saudita

Irã acusa EUA de sequestrarem cientista nuclear
Irã acusa EUA de sequestrarem cientista nuclear Foto : AFP
O cientista nuclear iraniano Shahram Amiri, desaparecido em maio, durante uma peregrinação à Arábia Saudita, foi "sequestrado" pelos americanos, afirmou nesta terça-feira o ministro iraniano das Relações Exteriores, Manuchehr Mottaki, denunciando o papel desempenhado por Riad.

"Podemos provar que os americanos tiveram um papel preponderante no sequestro de Amiri", declarou o chanceler iraniano em entrevista coletiva transmitida e traduzida pelo canal Press-TV. "Estamos aguardando sua libertação", acrescentou.

Amiri "desapareceu na Arábia Saudita, onde estava fazendo uma peregrinação" e "este país deve ser responsabilizado" pelo destino do cientista, prosseguiu Mottaki, avisando que o Irã poderá recorrer à justiça.
Mais cedo, o porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, anunciou que "Riad entregou Amiri a Washington".

Amiri "é um dos 11 iranianos atualmente detidos nas prisões americanas", acrescentou Mehmanparast, ressaltando que "a diplomacia iraniana está acompanhando a situação deles". O porta-voz também admitiu pela primeira vez que Shahram Amiri é um "cientista nuclear". O desaparecimento de Amiri foi confirmado em outubro pelas autoridades iranianas, inclusive por Mottaki, que afirmou então que os Estados Unidos estavam envolvidos no caso.

O jornal conservador iraniano Javan acusou a CIA de estar por trás do sequestro, perpetrado quando o cientista estava na cidade santa de Medina, segundo sua esposa. No dia 31 de maio, quando desembarcou na Arábia Saudita, Amiri foi "interrogado por agentes sauditas no aeroporto", segundo o jornal. "Três dias depois, ele deixou seu hotel em Medina e nunca mais voltou", acrescentou o Javan, apresentando Amiri como um pesquisador de física na Universidade de Tecnologia Malek-Ashtar, em Teerã.

A publicação desmentiu as afirmações da imprensa árabe segundo as quais Amiri trabalhava com atividades nucleares e teria divulgado nos Estados Unidos a existência de um segundo centreo iraniano de enriquecimento de urânio perto de Qom. A revelação, em setembro, da existência deste centro, deflagrou uma nova crise entre o Irã e a comunidade internacional, que suspeita Teerã de querer se dotar da arma nuclear.

No mês passado, a Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA) condenou o Irã por sua política nuclear, após o fracasso de discussões sobre a possibilidade de enriquecer o urânio iraniano no exterior. Teerã respondeu na semana passada anunciando a construção de 20 novos centros de enriquecimento de urânio em todo o país.