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Irã anuncia que é autossuficiente na produção de urânio enriquecido

Casa Branca considerou a divulgação preocupante

O Irã produziu seu primeiro lote de concentrado de urânio (yellowcake), que serve de base para a produção de urânio enriquecido, a partir de um mineral extraído de uma de suas minas no sul do país, declarou neste domingo o chefe do programa nuclear iraniano Alí Akbar Salehi. Este anúncio acontece quando o Irã e o grupo de seis potências se reúnem a partir desta segunda-feira, em Genebra, para reiniciar as negociações sobre o controvertido programa nuclear iraniano.

"O Ocidente achou que teríamos problemas com este tipo de matéria-prima, mas hoje dispomos do primeiro lote de “yellowcake da mina de Gachin", afirmou Salehi à televisão nacional. Até agora, o “yellowcake” utilizado pelo Irã em sua cadeia de produção de urânio enriquecido era importado, segundo Salehi, sem dar maiores detalhes. O pó de concentrado de urânio, é utilizado para produzir gás de hexafluoreto de urânio (UF-6), que é depois injetado em centrífugas que produzem urânio enriquecido. O anúncio feito por Teerã é preocupante, afirmou a Casa Branca.

"Este anúncio não é uma surpresa", afirmou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Mike Hammer, destacando que isso questiona ainda mais as intenções do Irã e gera novas preocupações de que o Irã deverá responder à inquietudes da comunidade internacional.

O "Grupo dos 5+1" (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha, mais a Alemanha) e o Irã se reúne a partir desta segunda, em Genebra, para retomar as negociações estancadas há 14 meses, em um ambiente também tenso pelos atentados contra os cientistas iranianos e as recentes revelações do site Wikileaks.

Depois de mais de um ano de suspensão, a reunião colocará em teste, segundo os especialista, a vontade de Teerã em negociar realmente sobre seu programa nuclear. "Esta reunião é muito importante não porque vai dar resultados instantâneos, e sim porque esperamos reintegrar o Irã no processo de negociações", afirmou uma fonte europeia.

A União Europeia (UE), intermediária das grandes potências, não espera grandes resultados. A UE não esquece que, numa reunião anterior, em 2009, o Irã concordou com o princípio de enriquecer seu urânio no exterior, o que jamais cumpriu."Genebra será o ponto de partida de um processo", explicou a porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

De qualquer maneira, a situação é delicada, pois o Irã rejeita o programa dos ocidentais e considera que estes são responsáveis pelos atentados contra dois especialistas de seu programa nuclear. Furioso, o presidente Mahmud Ahmadinejad insistiu que o Irã jamais renunciará ao enriquecimento de urânio e que esta questão não é negociável.

E, para complicar ainda mais, acontece o anúncio deste domingo de que o Irã se tornou autossuficiente na produção de yellowcake. Por outro lado, as recentes revelações do Wikileaks geraram ainda mais tensão, ao divulgar a preocupação que os vizinhos do Irã têm em relação a suas ambições nucleares.

Irã acalma os vizinhos

No sábado, o Irã tentou acalmar os temores de seus vizinhos ao assegurar que jamais usará da força contra eles. "O Irã jamais utilizou sua força contra seus vizinhos e jamais o fará, pois seus vizinhos são muçulmanos", afirmou o chefe da diplomacia iraniana, Manuchehr Mottaki, que desmentiu novamente que seu país queira dotar-se de armas nucleares.

Mottaki respondeu assim às declarações da secretária de Estado americana Hillary Clinton que, na sexta, afirmou que a preocupação dos Estados Unidos a respeito do controvertido programa nuclear iraniano era compartilhada por todos os vizinhos o Irã.

Por outro lado, Mottaki classificou de passo adiante a declaração de sua colega americana, segundo a qual o Irã poderá, uma vez esclareça suas intenções, enriquecer urânio com consentimento das grandes potências. "O Irã considera estas declarações um passo adiante", declarou o ministro iraniano em coletiva de imprensa à margem do fórum "Diálogo de Manama"."Mas estas palavras devem ser seguidas por atos", ressaltou.


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