"Entendemos a posição da outra parte e queremos dar a ela a possibilidade de salvar as aparências. Vamos participar destas conversas com um enfoque positivo e esperamos que eles venham com boa vontade", acrescentou o chanceler.
Pouco mais tarde, o porta-voz do Ministério iraniano do Petróleo, Alireza Nikzad, confirmou que as vendas de cru para as companhias britânicas e francesas foram interrompidas. "Decidimos fornecer nosso petróleo a outros clientes", justificou ele,via site oficial do ministério. O Irã é o segundo maior produtor da Opep, com uma produção de 3,5 milhões de barris diários, dos quais exporta 2,5 milhões.
O país vende pouco mais de 20% de seu petróleo para a União Europeia (UE) – cerca de 600 mil barris/dia –, principalmente para a Itália, que comprou cerca de 185 mil barris diários em 2011 (13% de suas importações), a Espanha (161 mil barris, 12% de suas importações) e a Grécia (103 mil, 30% respectivamente). O anúncio deste domingo pode representar uma advertência para esses países.
Em 2011, a França importava 58 mil barris diários de petróleo iraniano, cerca de 3% de suas necessidades. O Irã havia anunciado na quarta-feira que vai revisar para baixo suas vendas de petróleo aos países europeus, embora não vá interrompê-las "no momento", respondendo, com isso, ao embargo gradual sobre o petróleo iraniano decidido anteriormente pela UE.
Na sexta-feira, a chefe da política externa da UE, Catherine Ashton, e sua colega americana, Hillary Clinton, haviam saudado o envio por parte de Teerã de uma carta na qual dizia estar disposto a retomar as negociações sobre seu programa nuclear. O principal negociador iraniano para a questão nuclear, Said Jalili, propôs nessa carta às potências do grupo 5+1 (Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano, se for respeitado o seu direito à energia atômica com fins pacíficos.
General dos EUA considera prematura ataque contra Irã
Já o comandante americano de mais alta patente considerou "prematuro" optar por um ataque militar contra o Irã por causa de seu programa nuclear neste momento. "Creio que as sanções econômicas e a cooperação internacional obtida em torno das sanções estão começando a surtir efeito", afirmou o general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior conjunto americano, no programa "Fareed Zakaria GPS" da rede CNN.
No sábado à noite, antes do começo de uma visita do conselheiro de segurança nacional do presidente americano Barack Obama, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, general Benny Gantz, afirmou que seu país tomará a decisão de atacar o Irã sozinho. Essas declarações coincidem com a chegada a Israel do assessor de segurança nacional americano Tom Donilon para manter "consultas com autoridades israelenses sobre diversos temas", entre eles o Irã.