Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, as chances de colocar fim ao conflito não são tão grandes sem a participação do Irã, principal aliado regional de Damasco. A Rússia também considerou um erro a decisão da ONU, declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. "Sempre dissemos que todos os atores externos tinham que estar representados", acrescentou.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pouco depois de ter convidado o Irã, decidiu excluí-lo da conferência de paz Genebra II. Lavrov criticou a explicação dada por Ban para mudar de opinião. "Quando o secretário-geral da ONU diz que era obrigado a cancelar seu convite ao Irã porque (este país) não compartilha os princípios do regulamento do comunicado de Genebra (de junho de 2012), na minha opinião é uma frase bastante distorcida", declarou Lavrov. "Os que exigiram o cancelamento do convite ao Irã são os mesmos que afirmam que a aplicação do comunicado de Genebra deve levar a uma mudança de regime" na Síria, afirmou o ministro russo.
Estados Unidos, Reino Unido e França, partidários de que o presidente sírio Bashar al-Assad abandone o poder, condicionaram a presença do Irã na conferência ao apoio a uma transição democrática na Síria. "É uma interpretação desonesta do que havíamos acordado em Genebra em junho de 2012", acrescentou Lavrov, que, no entanto, estimou que a ausência do Irã "não será catastrófica".
A Rússia, aliada do regime de Bashar al-Assad, é um dos artífices junto com os Estados Unidos da conferência de paz Genebra II para tentar encontrar uma solução política à guerra civil na Síria, que deixou mais de 130 mil mortos e milhões de refugiados e deslocados desde março de 2011.