O Irã pediu neste sábado que as potências ocidentais aceitem o acordo de troca de combustível nuclear estabelecido pelo país com o Brasil e Turquia, como uma solução "digna" para o impasse em relação ao programa de enriquecimento iraniano, informou a agência estatal iraniana Irna. "A solução mais digna aos países do Ocidente sobre a questão nuclear iraniana é aceitar o acordo de troca de combustíveis", disse o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, segundo a Irna. Segundo ele, o impasse das potencias mundiais sobre o programa atômico iraniano é um atoleiro criado por elas mesmas.
O parlamentar Isfahan Hamid Reza-Fouladgar disse neste sábado que a tendência é de que os iranianos reduzam a cooperação à Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), que é ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O diretor-geral da Agência Energia Atômica do Irã, Ali-Akbar Salehi, afirmou que deve ocorrer um acirramento do impasse em torno do programa nuclear.
“Os Estados ocidentais devem parar de se envolver em um pântano construído por eles mesmos em relação ao Irão”, disse Salehi, segundo a agência oficial de notícias do Irã, a Irna. De acordo com ele, os “países ocidentais” devem buscar uma saída “menos ruidosa”.
A pressão internacional sobre o Irã intensificou-se com a aprovação nesta semana de uma quarta rodada de sanções pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o país, desta vez restringindo as transações militares e financeiras.
O Irã recusa-se atender às demandas da ONU de suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio, atribuindo-o a fins pacíficos, e nega acusações do Ocidente de que tem pretensões de desenvolver armas nucleares.
Em maio, o Irã assinou um acordo com o Brasil e a Turquia, membros temporários do Conselho de Segurança da ONU, para embarcar cerca da metade do estoques de urânio de baixo enriquecimento para a Turquia em troca de combustível enriquecido.
As nações do Ocidente reagiram com frieza ao acordo, elaborado em cima de uma proposta feita em outubro ao Irã pela ONU de embarque de urânio de baixo enriquecimento para a Rússia e França para posterior conversão em combustível nuclear. Mas o Irã refutou a proposta, insistindo na troca simultânea em seu próprio território, uma condição rejeitada pelas potenciais mundiais. As informações são da Dow Jones.
Irã pede que acordo firmado com Brasil seja aceito
Impasse das potencias ocidentais é classificado como atoleiro pelos iranianos