O presidente iraniano, Hassan Rohani, reafirmou neste domingo os direitos nucleares do Irã um dia depois das negociações de Genebra que, apesar dos avanços, não conseguiram levar a um acordo sobre o programa iraniano. Durante três dias, as grandes potências e o Irã buscaram na Suíça um entendimento sobre o tema.
"Há linhas vermelhas que não podem ser cruzadas. Os direitos da nação iraniana e os nossos interesses são uma linha vermelha, assim como os direitos nucleares no âmbito das regras internacionais, que incluem o enriquecimento de urânio em solo iraniano", ressaltou.
Os comentários das últimas horas sobre a reunião entre os chamados 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) e o Irã eram otimistas. O chefe da diplomacia alemã, Guido Westerwelle, considerou que estavam "mais próximos de uma solução razoável do que estivemos em anos", enquanto seu colega americano, John Kerry, saudou os progressos realizados.
Por sua vez, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, disse não estar nem um pouco decepcionado. O britânico William Hague considerou que um acordo sobre o programa nuclear iraniano "está sobre a mesa e pode ser concluído". As negociações tropeçaram nas exigências de esclarecimentos de alguns participantes, em particular da França, sobre a redação de um acordo temporário de seis meses, primeira etapa "verificável" antes de um acordo permanente.
Na saída do encontro, a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, e Javad Zarif anunciaram que as negociações serão retomadas no dia 20 de novembro.
Ocidente quer garantias
O Ocidente exige garantias sobre o reator de águas pesadas de Arak e sobre a fabricação de plutônio, mas especialmente sobre a capacidade do Irã de enriquecer urânio a 20%, o parque de 19 mil centrífugas e a fabricação de uma nova geração cinco vezes mais rápidas. Em troca deste acordo, Teerã espera um relaxamento "limitado e reversível" de algumas sanções, principalmente às que se referem ao congelamento pelos Estados Unidos dos bens iranianos em bancos de terceiros países.
O chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, foi o primeiro a anunciar a ausência de acordo, ressaltando que havia um longo caminho pela frente. A determinação irritou em um primeiro momento alguns diplomatas, mas várias fontes diplomáticas reconheceram após o fracasso em alcançar um acordo que "há diferentes pontos que representam problemas para diferentes países, não apenas para a França".
"Os Estados Unidos estão determinados a fazer com que o Irã não adquira armas nucleares", declarou Kerry após as advertências feitas por Israel. E ressaltou neste domingo que os Estados Unidos não são cegos ou estúpidos no diálogo nuclear com a República Islâmica.
"Algumas das pessoas mais sérias e capazes de nosso governo, que passaram uma vida com o tema do Irã, assim como o das armas nucleares e da proliferação, estão envolvidas em nossa negociação", afirmou em uma entrevista a uma rede de televisão americana. "Acredito que temos uma ideia clara sobre como medir se estamos ou não agindo de acordo com os interesses de nosso país e do mundo, e particularmente de nossos aliados, como Israel, os países do Golfo e outros na região", completou.
Por parte da oposição iraniana, a presidente do Conselho Nacional da Resistência Iraniana (CNRI), Maryam Radjavi, considerou em um comunicado que qualquer acordo entre o Irã e as grandes potências que não preveja a detenção completa do programa nuclear iraniano dá a Teerã a possibilidade de adquirir a arma nuclear.
O ambiente otimista das negociações pode ter um primeiro resultado concreto muito em breve: a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cujo diretor-geral, Yukiya Amano, viajará na segunda-feira a Teerã, espera obter concessões do Irã sobre o programa de verificação e de visitas as suas instalações nucleares.
Irã reafirma seus direitos nucleares antes de nova rodada de negociações
Encontro em Genebra não conseguiu chegar a um acordo sobre a questão