O Irã afirmou, neste domingo, que Israel "ultrapassou todas as linhas vermelhas" com seus últimos ataques nos subúrbios do sul de Beirute e pediu que interrompa sua campanha no Líbano.
O general Ali Abdollahi, comandante em chefe das forças armadas iranianas, disse na televisão que "o Exército de Israel deve parar seus ataques no sul do Líbano e nos subúrbios". Ele alertou que, se Israel ampliar os ataques na região ou responder à ação do Irã, "enfrentará hostilidades ainda mais devastadoras e lamentáveis".
O alto oficial militar não mencionou diretamente as duas salvas de mísseis iranianos que Israel disse ter interceptado na noite deste domingo.
Conflito escalou neste fim de semana
O grupo libanês pró-iraniano Hezbollah afirmou ter lançado um drone contra um posto militar no norte de Israel na manhã deste domingo, horas depois de Israel dizer que havia atacado Beirute em represália.
Em um comunicado, o movimento diz ter atacado pela manhã "uma reunião de soldados inimigos israelenses no quartel de Dovev". A ação, segundo o grupo, foi "em resposta à violação do cessar-fogo por parte do inimigo israelense e aos ataques que atingiram aldeias no sul do Líbano".
Lado israelense
Por outro lado, o Exército de Israel denunciou que seu território foi alvo de mísseis iranianos pela primeira vez desde o cessar-fogo de 8 de abril.
"Há pouco, o Exército identificou mísseis lançados do Irã em direção ao território de Israel", diz um comunicado militar. As sirenes de alerta soaram em diversos pontos do norte de Israel, segundo o Exército.
Conflito completa 100 dias sem paz no horizonte
Em 100 dias, a guerra — iniciada em 28 de fevereiro com os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã — impactou vários países do Oriente Médio e abalou a economia mundial.
Desde o cessar-fogo de 8 de abril, as hostilidades cessaram quase por completo. No entanto, ressurgiram recentemente, especialmente em torno do Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para os combustíveis, controlada pelo Irã.
Embora as negociações de paz pareçam estagnadas, o Paquistão, que atua como mediador, prossegue com seus esforços. O ministro do Interior paquistanês, Mohsen Naqvi, fez nova visita a Teerã, onde entregou uma "carta especial" ao chefe da diplomacia iraniana, segundo a TV estatal.
A carta, dirigida ao líder supremo Mojtaba Khamenei, contém "uma mensagem muito importante", ressaltou Naqvi, sem revelar seu conteúdo. O Irã e os Estados Unidos mantiveram silêncio nos últimos dias sobre os diálogos, longe das declarações positivas no fim de maio sobre um protocolo de acordo.