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Irã autoriza formalmente mulheres a pilotar motocicletas

Mudança ocorre em um cenário de profunda instabilidade no país

Autoridades se recusavam sistematicamente a emitir o documento para mulheres.
Autoridades se recusavam sistematicamente a emitir o documento para mulheres. Foto : AFP

O governo do Irã oficializou, nesta quarta-feira (4), a emissão de carteiras de habilitação para motocicletas a mulheres, encerrando um período de ambiguidade legal. O primeiro vice-presidente, Mohammad Reza Aref, assinou uma resolução que obriga a polícia de trânsito a oferecer treinamento prático e exames para o público feminino.

Embora a lei anterior não proibisse o ato explicitamente, as autoridades se recusavam sistematicamente a emitir o documento para mulheres.

Contexto de repressão e crise política

A mudança ocorre em um cenário de profunda instabilidade. O regime enfrenta as consequências de uma repressão brutal a protestos populares, que resultou em milhares de mortes. Enquanto Teerã admite cerca de 3.000 óbitos — alegando que a maioria eram agentes de segurança —, ONGs internacionais estimam que o número real de manifestantes mortos pela polícia possa chegar a dezenas de milhares.

A medida é vista por analistas como uma tentativa de aceno social em meio ao isolamento do governo.

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Resistência e o legado de Mahsa Amini

O uso de motocicletas por iranianas cresceu nos últimos meses como uma forma de desafio às restrições impostas desde a Revolução Islâmica de 1979. O movimento de desobediência civil ganhou força após a morte de Mahsa Amini, em 2022, que gerou uma onda de manifestações globais contra os códigos de vestimenta e conduta.

Para muitas iranianas, como a publicitária Saina, de 33 anos, a autorização chega tarde e não resolve os problemas estruturais da sociedade, como a crise econômica e a falta de liberdades fundamentais.