O ministro das Relações Exteriores iraniano conversou nesta quinta-feira (27) com seu colega do Catar sobre o Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã desde o início da guerra no Oriente Médio. A visita do chanceler catariano, xeique Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, a Teerã ocorre após uma semana de atividade diplomática intensa no Irã para tentar encerrar o conflito e reabrir o Estreito, e após o anúncio de novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã.
Diálogo diplomático entre Irã e Catar
A televisão estatal iraniana informou que Al-Thani, que também é primeiro-ministro do Catar, reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, sem dar detalhes. O Ministério das Relações Exteriores do Catar informou que os dois discutiram os esforços para reduzir as tensões, assim como o marco proposto por Irã e Omã para o Estreito de Ormuz.
Al-Thani "enfatizou a necessidade de respeitar a soberania dos Estados vizinhos e a liberdade de navegação", e de continuar buscando o diálogo, informou o ministério. "O Catar considera que o diálogo e a diplomacia continuam sendo a melhor forma de superar as crises", publicou o chanceler no X.
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Acordo sobre taxas e reabertura do Estreito
O Irã negocia há semanas com Omã as condições de navegação pelo Estreito, com a intenção de cobrar uma taxa de "serviço" pelo trânsito de embarcações, o que não ocorria antes da guerra. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ontem que os dois países concordaram em dividir a receita das tarifas cobradas pela navegação.
Autoridades iranianas, no entanto, insistem em que a via não será totalmente reaberta até que os Estados Unidos atendam às exigências de Teerã, que incluem o fim do bloqueio naval, a retirada das sanções e o descongelamento dos ativos iranianos no exterior. O Irã bloqueia esta rota marítima, por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo, desde o início da guerra com os Estados Unidos, em 28 de fevereiro.
Negociações e acordos não implementados
Juntamente com o Paquistão, o Catar teve um papel-chave no cessar-fogo alcançado em abril e no memorando de entendimento de junho entre Irã e Estados Unidos, mas ambos os acordos acabaram não sendo implementados. ap-mz/jsa/hgs/meb/lm/aa-lb