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Irã enfrenta mobilização contra o governo em várias cidades

População grita “morte ao ditador”, em referência a Ali Khamenei

Irã enfrenta mobilização contra o governo em várias cidades
Irã enfrenta mobilização contra o governo em várias cidades Foto : IRAN PRESS / AFP

O governo do Irã enfrenta um momento de crise no país. Por conta das dificuldades econômicas, a população saiu para as ruas e está mobilizada em diversas cidades.

Conscientes de que poderão sofrer punições severas, grupos entoam gritos de “morte ao ditador”, em referência ao líder supremo Ali Khamenei. Eles querem o fim do sistema teocrático xiita, após quase duas semanas de um movimento inicialmente ligado ao descontentamento com o alto custo de vida.

Com os olhos irritados pelo gás lacrimogêneo e a garganta afetada depois de gritar palavras de ordem nas ruas, o vendedor de telefones celulares Majid (nome fictício) acredita que os protestos não vão cessar.

"Sabemos que arriscamos nossas vidas, mas mesmo assim fazemos isso e continuaremos fazendo, por um futuro melhor", disse o manifestante a jornalistas.

Imagens verificadas pela AFP mostram multidões a pé desafiando o governo ou motoristas buzinando em apoio ao movimento.

Outros vídeos registraram manifestações em diferentes partes do país, incluindo Tabriz, no norte, a cidade santa de Mashhad, no leste, e regiões do oeste de maioria curda, especialmente nos arredores de Kermanshah.

Em várias imagens, é possível ver manifestantes incendiando a entrada da filial regional da televisão estatal em Isfahan.

Outros vídeos mostravam chamas no prédio da administração municipal de Shazand, no centro do país, após manifestantes se reunirem nas proximidades.

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Convocação de Pahlavi

Reza Pahlevi, filho do xá deposto em 1979 e figura da oposição no exílio, convocou nesta sexta-feira uma nova demonstração de força nas ruas para ampliar a mobilização e "enfraquecer ainda mais o poder repressivo do regime".

Trata-se dos maiores protestos no Irã desde os registrados em 2022 após a morte de Mahsa Amini, detida por supostamente usar o véu de forma inadequada.

As manifestações ocorrem em um momento em que o Irã está enfraquecido após a guerra com Israel e os golpes sofridos por vários de seus aliados regionais, em paralelo a ONU restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear do país em setembro.

Organizações de defesa dos direitos humanos acusaram as autoridades iranianas de abrir fogo contra manifestantes, matando dezenas de pessoas desde o início dos protestos, em 28 de dezembro.

A França pediu nesta sexta-feira às autoridades iranianas que "exerçam a máxima moderação" em sua resposta às manifestações, segundo uma fonte diplomática.

Um dia antes, a Alemanha havia denunciado o "uso excessivo da força" por parte do governo iraniano "contra manifestantes pacíficos" e instado as autoridades de Teerã a "respeitar suas obrigações internacionais" nessa área.