O Poder Judiciário do Irã informou, nesta quinta-feira (15), que o manifestante Erfan Soltani não foi condenado à pena capital. A declaração surge após o Departamento de Estado dos EUA e a Anistia Internacional denunciarem que a execução do jovem de 26 anos era iminente.
Segundo o comunicado oficial divulgado pela televisão estatal, Soltani está detido em Karaj sob acusações de propaganda contra o regime e crimes contra a segurança nacional, delitos que, de acordo com o órgão, não preveem a pena de morte, mas sim sentenças de prisão.
Apesar da negativa de Teerã, organizações de direitos humanos mantêm o alerta. O grupo Hengaw, sediado na Noruega, afirmou que o enforcamento de Soltani estava originalmente agendado para quarta-feira e acabou adiado.
O caso de Soltani tornou-se o símbolo da atual onda de repressão que, aproveitando um bloqueio de internet de mais de cinco dias, tenta sufocar os maiores protestos contra o regime teocrático desde 1979.
A ONG Iran Human Rights (IHR) estima que o número de mortos pelas forças de segurança já chegue a 3.428, com mais de 10 mil prisões efetuadas.
Julgamentos céleres e instabilidade política
As manifestações, motivadas inicialmente pela crise econômica e o aumento do custo de vida, evoluíram para um movimento de contestação direta ao clero governante. Em resposta, o Judiciário iraniano anunciou que implementará julgamentos "rápidos" para os detidos, o que gera preocupação na comunidade internacional sobre a ausência de amplo direito de defesa.
O governo iraniano continua a classificar os atos como influenciados pelo exterior, enquanto a pressão diplomática liderada por Washington busca evitar que as prisões resultem em execuções sumárias sob o manto da falta de comunicação digital.