O acesso à internet foi parcialmente restabelecido no Irã, dez dias depois que as autoridades impuseram um bloqueio em 8 de janeiro, devido à onda de protestos que sacudiram o país, informou uma organização de cibersegurança neste domingo, 18.
“Os dados de tráfego indicam um retorno significativo de alguns serviços online, como Google, o que sugere que foi habilitado um acesso com um alto nível de filtragem, o que corrobora os informes dos usuários de uma restauração parcial”, informou a Netblocks em uma publicação nas redes sociais.
As autoridades iranianas avaliam restabelecer o acesso à internet "de forma progressiva", após terem imposto um corte total das comunicações em 8 de janeiro, reportou a agência de notícias Tasnim.
Jornalistas da AFP em Teerã conseguiram se conectar à internet neste domingo, 18, embora a maioria dos provedores de acesso sigam bloqueados.
Os protestos, iniciados em 28 de dezembro pelo aumento do custo de vida e a desvalorização da moeda nacional, são considerados o maior desafio ao regime iraniano desde as manifestações de 2022-2023, após a morte na detenção da jovem Mahsa Amini.
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Segundo o balanço mais recente da Iran Human Rights (IHR), pelo menos 3.428 manifestantes morreram. Outras estimativas elevam este número a mais de 5.000 e inclusive a 20.000, segundo esta ONG com sede na Noruega.
As ligações telefônicas para o exterior foram restabelecidas na terça-feira e as mensagens de texto, no sábado, após vários dias de suspensão.
No entanto, os iranianos conseguiram acessar sua internet nacional, que permite aplicativos de táxis, entrega de pacotes e serviços bancários.
Em condições normais, os aplicativos estrangeiros mais usados no Irã são Instagram, WhatsApp e Telegram, apesar das restrições que obrigam o uso de uma rede virtual privada (VPN).