As conexões telefônicas internacionais foram restabelecidas no Irã nesta terça-feira (13), após quatro dias de interrupção total. No entanto, o país permanece sob um rigoroso apagão de internet que já ultrapassa 108 horas, segundo dados da ONG NetBlocks.
O governo iraniano justifica a medida como uma resposta a supostas "operações terroristas" coordenadas pelo exterior durante a onda de protestos que desafia o regime teocrático do aiatolá Ali Khamenei.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou à rede Al Jazeera que o corte digital foi necessário após o governo constatar que ordens para atos violentos partiam de fora do país. Araghchi defendeu que o regime mantinha diálogo com os manifestantes e que a suspensão do serviço ocorreu apenas diante de ameaças à segurança nacional.
Em contrapartida, defensores dos direitos humanos e observadores internacionais acusam Teerã de utilizar o isolamento digital para ocultar a violência da repressão estatal, que teria resultado em centenas de mortes desde o início dos atos, há duas semanas.
Evolução dos protestos e pressão internacional
O movimento, que originalmente questionava a alta do custo de vida, evoluiu para a maior contestação política à República Islâmica desde 1979. A severidade da resposta das forças de segurança gerou uma onda de condenação global.
Embora o restabelecimento das linhas telefônicas permita o fluxo parcial de informações, a manutenção do bloqueio da internet continua a dificultar a verificação independente do número de vítimas e da extensão real dos confrontos no território iraniano.