Apesar dos milhares de soldados e policiais que estão espalhados por todo o território iraquiano para proteger os locais de votação, nesta manhã, duas bombas explodiram e mataram duas mulheres que estavam a caminho das urnas da cidade de Kirkuk, a 290 quilômetros de Bagdá. Cinco soldados ficaram feridos. Foi o primeiro atentado com morte registrado no país durante as eleições.
No centro de Bagdá, capital do Iraque, soldados e as forças armadas estão localizados a 500 metros de distância das cabines eleitorais, enquanto picapes e viaturas percorrem as ruas da cidade. Grande parte de Bagdá parece deserta nesta quarta-feira, sem os congestionamentos habituais. A maioria das lojas permanece fechada.
O governo também decidiu fechar o espaço aéreo do Iraque para as eleições e baniu os veículos das vias para reduzir a ameaça de carros-bomba. Exército, policiais e médicos anteciparam o voto na segunda-feira para fazerem plantão de atendimento durante todo o dia de hoje. Expatriados iraquianos em pelo menos 20 países votaram no último domingo e na segunda.
O favorito para ser primeiro ministro e o parlamento
O partido xiita, liderado pelo primeiro-ministro Nouri Al-Maliki, é o favorito para vencer as eleições, mas provavelmente não conseguirá impor a maioria no parlamento. Al-Maliki precisará refazer um governo de coalizão caso queira se manter no poder por mais quatro anos, uma tarefa difícil devido às críticas dos árabes xiitas, sunitas e curdos.
Outro ponto que pesa sobre o atual governo é a volta da violência em todo o país. O primeiro-ministro tem se posicionado contra os protestos de militantes sunitas, que se queixam de discriminação do governo. No ano passado, o número de mortos no Iraque subiu para seu nível mais alto, com 8.868 pessoas mortas em 2013. Neste primeiro trimestre foram 2 mil assassinatos.
A violência se intensificou nos últimos dias antes da votação. Nessa terça-feira, 24 pessoas morreram em um ataque com bombas ao nordeste de Bagdá. Na sexta-feira passada, outras 33 foram assassinadas durante um comício eleitoral na capital do país. Todos os ataques tiveram a responsabilidade assumida pelos insurgentes sunitas.