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Israel assumirá controle de área extensa no sul do Líbano

Israel já invadiu esta área em 1982 e permaneceu até 2000

Israel já matou mais de mil pessoas em ataques ao Líbano
Israel já matou mais de mil pessoas em ataques ao Líbano Foto : AFP / CP

O Exército israelense anunciou nesta terça-feira, 24, que assume o controle de uma ampla zona de "segurança" no sul do Líbano, até o rio Litani, a cerca de 30 km da fronteira.

A ação ocorre ao mesmo tempo em que continua o bombardeio no restante do território libanês. Isso remete os libaneses a 1982, quando, no contexto da guerra civil, Israel invadiu toda essa área para repelir grupos armados palestinos.

Israel retirou-se no ano 2000 sob pressão do movimento pró-iraniano Hezbollah, com o qual voltou a entrar em conflito. Desta vez, o embate se dá no contexto da guerra contra o Irã.

Declarações do ministro da defesa

As forças israelenses "manobram no interior do território libanês para se apoderar de uma linha de defesa avançada" até o rio Litani, declarou o ministro da Defesa, Israel Katz, em um vídeo divulgado por seu gabinete.

A consequência para os civis é que "as centenas de milhares de moradores do sul do Líbano que foram evacuados para o norte não voltarão ao sul do Litani enquanto a segurança dos habitantes do norte" de Israel não estiver garantida, acrescentou Katz.

Reação internacional e escalada de ataques

A França, que reivindica um papel diplomático ativo no Líbano, reagiu pedindo a Israel que "se abstenha" de cumprir seus planos. O chanceler Jean-Noël Barrot, em declaração à AFP, afirmou que isso teria "consequências humanitárias significativas que agravariam a situação já dramática do país".

Desde 2 de março, quando o Hezbollah envolveu o Líbano na guerra regional, Israel realizou centenas de ataques no país vizinho. Segundo as autoridades, esses ataques causaram 1.072 mortos, incluindo 121 crianças, e mais de um milhão de deslocados.

"A batalha contra o Hezbollah (...) está apenas começando", advertiu na segunda-feira a porta-voz do Exército israelense, Ella Waweya.

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No norte de Israel, uma mulher morreu na noite desta terça-feira, segundo os serviços de emergência, após disparos de dezenas de foguetes provenientes do Líbano. À tarde, uma série de explosões de origem desconhecida sacudiu regiões ao norte de Beirute, segundo moradores e meios locais. Ao amanhecer, os bombardeios israelenses mataram cinco pessoas no sul do país e outras três em uma área residencial próxima a Beirute.

Depoimentos de civis

"Minha casa foi completamente destruída. Não resta mais nada, tudo queimou", disse à AFP Abas Qasem, de 55 anos. Um apartamento vizinho ao seu foi alvo de um ataque em Bchamoun, ao sudeste de Beirute.

"O que eu fiz para que minha casa fosse destruída? Sou uma pessoa normal", acrescentou ele, entre lágrimas. Nesse ataque específico, uma menina de quatro anos morreu e houve quatro feridos, segundo o Ministério da Saúde. Bchamoun não é um reduto do Hezbollah.

Envolvimento do Irã e retaliações

O movimento islamista entrou na guerra em 2 de março para vingar a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, falecido dois dias antes, no primeiro dia de ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. O movimento xiita disse estar resistindo ao avanço das forças israelenses em localidades fronteiriças e reivindicou ataques contra soldados na aldeia de Al Qauzah e contra o norte de Israel.

Segundo a agência estatal libanesa ANI, uma unidade israelense entrou na aldeia fronteiriça de Halta, onde soldados invadiram várias casas e abriram fogo contra os moradores, matando um deles e ferindo outro. Ao mesmo tempo, no plano diplomático, o Líbano retirou a acreditação do recém-nomeado embaixador do Irã em Beirute, Mohammad Reza Raouf Sheibani, e lhe deu prazo até domingo para deixar o país.

O Hezbollah reagiu instando o governo a se retratar "imediatamente". As autoridades libanesas acusam a Guarda Revolucionária iraniana de dirigir as operações do Hezbollah contra Israel.