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Israel aumenta prazo para saída de palestinos do norte de Gaza

Hamas afirmou que 70 pessoas morreram e 200 ficaram feridas durantes ataques ao longo da rota da retirada

Foto : Mahmud Hams / AFP

Israel ampliou o prazo para saída de palestino do norte para o sul de Gaza. O anúncio foi feito pelo porta-voz das Forças de Defesa de Israel para a mídia árabe, Avichay Adraee. Serão mais seis horas além das 24h anunciadas nessa sexta por Tel Aviv.

Segundo a rede de TV Al Jazeera, Egito e Catar estiveram envolvidos nas negociações. De acordo com a emissora, mesmo com milhares de palestinos em retirada, o bombardeio de Israel segue em Gaza.

O Hamas afirmou que 70 pessoas morreram e 200 ficaram feridas durantes ataques ao longo da rota da retirada. De acordo com a CNN, três locais foram atingidos: Salah Al-Din street, a rua Sheikh Ahmed Yaseen street, e nos arredores de Wadi Gaza.

Desde sexta, milhares de palestinos fogem do norte da Faixa de Gaza depois que Israel deu um prazo para que se retirassem desta região ante a iminência de uma possível invasão do enclave. 

Israel designou duas rotas seguras para os mais de dois milhões de residentes do norte da Faixa de Gaza, instados a se deslocarem para o sul do território antes de o Exército lançar uma ofensiva terrestre contra o movimento islâmico palestino Hamas, que atacou o sul de Israel em 7 de outubro.

Há uma "janela das 10h às 16h" no sábado, disse à imprensa o porta-voz militar Richard Hecht. "Sabemos que vai levar tempo, mas aconselhamos as pessoas a não demorarem", acrescentou. 

A ONU, os Estados Unidos e a União Europeia pediram a Israel que adie qualquer possível ofensiva, para dar tempo aos civis para se refugiarem.

O exército israelense indicou que a Cidade de Gaza estará no centro dessas operações, onde estariam baseados os líderes do Hamas, cuja incursão a Israel no fim de semana passado deixou pelo menos 1.300 mortos.

O ataque do Hamas provocou a resposta de Israel, cujo Exército bombardeia a Faixa de Gaza, desde então. Já são pelo menos 2.215 mortos, segundo as autoridades do enclave palestino.

As bombas israelenses destroem Gaza ininterruptamente desde a incursão lançada a partir deste enclave pelo movimento islamita palestino Hamas.

O Hamas rechaçou "a ameaça dos líderes da ocupação (israelense) e seus apelos para (os palestinos) deixarem suas casas e fugirem para o sul ou para o Egito".

No entanto, a ordem de evacuação levou milhares de moradores do norte de Gaza a fugir de carro ou a pé rumo ao sul, mas sem esperanças de sair do enclave pelo lado israelense, nem pela única passagem com o Egito, reticente em ter que administrar uma crise de refugiados.

Além disso, a população de Gaza está ficando sem água, alimentação e energia elétrica, devido ao "cerco total" imposto por Israel.

Ainda assim, muitos moradores do enclave se negam a partir.

O exílio é uma questão dolorosa em Gaza, onde mais de 80% de seus habitantes são refugiados ou descendentes de refugiados, que abandonaram seus povoados e cidades ou foram expulsos deles quando o Estado de Israel foi criado, em 1948.

"O que o mundo quer de nós? Eu já sou refugiado em Gaza e querem que eu vá embora outra vez?", questiona Mohammed Khaled, de 42 anos, morador do enclave.

"Querem que durmamos nas ruas com nossos filhos? Eu me recuso! Não quero esta vida indigna!", diz Mohammed Abu Ali, no campo de refugiados de Shati, o maior de Gaza, no norte do enclave. "Não há lugar seguro, sendo assim não sabemos aonde ir", acrescenta.

Em vários países muçulmanos, milhares de pessoas se manifestaram nesta sexta nas capitais de Iraque, Irã, Jordânia, Arábia Saudita e Bahrein em apoio aos palestinos.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, comparou o deslocamento maciço de palestinos a uma segunda Nakba ("catástrofe" em árabe), como os palestinos denominam o exílio de 760 mil pessoas durante a guerra de 1948. Seu primeiro-ministro, Mohammed Shtayyeh, acusou Israel de levar adiante um "genocídio".

A Arábia Saudita, por sua vez, rechaçou "categoricamente" qualquer deslocamento da população na Faixa de Gaza e condenou o bombardeio de "civis indefesos".

EUA adverte para "crise humanitária"

As vozes de alerta se multiplicam diante de uma possível invasão terrestre de Gaza.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu para Israel "evitar uma catástrofe humanitária" e pediu um "acesso humanitário imediato a Gaza, para poder levar combustível, alimentos e água a todos que precisarem".

O presidente americano, Joe Biden, reiterou seu compromisso de dar a Israel "o que precisar para se defender e responder a estes ataques", mas se distanciou da ira vingativa de Netanyahu.

"Não podemos perder de vista o fato de que a esmagadora maioria dos palestinos não teve nada a ver com o Hamas e os ataques atrozes do Hamas e que também está sofrendo como resultado disso", disse Biden em um discurso na Filadélfia.

Anteriormente, seu secretário de Estado, Antony Blinken, havia pedido para Israel adotar "todas as precauções possíveis" para evitar a morte de civis.

O ataque sangrento do Hamas contra Israel não justifica a "destruição ilimitada" do enclave palestino, advertiu, por sua vez, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

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