Mundo

Israel continua bombardeando Gaza após novo pedido de cessar-fogo

Israel intensifica ofensiva contra o Hamas em Gaza, apesar de apelos internacionais

Gaza segue sob intensos bombardeios
Gaza segue sob intensos bombardeios Foto : Omar Al-Qattaa / AFP / CP

Neste domingo, Israel persiste em sua ofensiva contra o Hamas, bombardeando vários setores da Faixa de Gaza, incluindo Rafah. Isso ocorre um dia após mediadores internacionais pedirem um acordo de cessar-fogo, após quase oito meses de conflito. Apesar da pressão da comunidade internacional, o Exército israelense mantém sua operação em Rafah, ao sul do território palestino, iniciada em 7 de maio com o objetivo de neutralizar o Hamas. Relatos indicam que cerca de um milhão de palestinos fugiram à medida que as tropas israelenses avançavam para o centro e oeste de Rafah, próximo à fronteira com o Egito. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) confirmou que os 36 abrigos em Rafah estão vazios. Testemunhas relatam atividades militares israelenses e confrontos em Rafah, com relatos de explosões, combates e ataques de drones e helicópteros. No norte de Gaza, três palestinos, incluindo uma criança, foram mortos em um bombardeio que destruiu sua casa na Cidade de Gaza, conforme fontes hospitalares. As áreas de Deir al-Balah, Bureij e Nuseirat também foram alvos. O Exército israelense declarou ter realizado operações "direcionadas" em Rafah e no centro de Gaza, atingindo 30 "alvos terroristas" nas últimas 24 horas.

A guerra teve início em 7 de outubro, após comandos do Hamas matarem 1.189 pessoas, em sua maioria civis, no sul de Israel, e sequestrarem 252. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva aérea e terrestre que resultou em mais de 36 mil mortes em Gaza, segundo autoridades palestinas. Mediadores, incluindo Catar, Estados Unidos e Egito, instaram Israel e o Hamas a finalizarem um acordo de cessar-fogo com base em um plano apresentado pelo presidente dos EUA, Joe Biden. O plano de três fases prevê uma trégua temporária com a retirada das tropas israelenses de áreas povoadas de Gaza por seis semanas, a libertação de reféns em troca de prisioneiros palestinos e a posterior retirada total das forças israelenses de Gaza. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfatizou que o fim do conflito está condicionado à destruição do Hamas e à libertação de todos os reféns. O Hamas declarou aceitar positivamente o plano, mas exige um cessar-fogo permanente e a retirada total das forças israelenses antes de qualquer acordo.

A ofensiva israelense resultou em uma crise humanitária em Gaza, com risco de fome, segundo a ONU. A maioria dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza foi deslocada, sem lugares seguros no território sitiado. Uma reunião entre Egito, Estados Unidos e Israel está programada para este domingo no Cairo, para discutir a passagem de Rafah, crucial para a entrada de ajuda humanitária em Gaza. A passagem está fechada desde que as forças israelenses assumiram o controle em 7 de maio. Autoridades israelenses relataram que 764 caminhões de ajuda egípcia entraram em Gaza pela passagem de Kerem Shalom com Israel nesta semana, embora ONGs continuem a apontar que a ajuda nem sempre chega à população.