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Israel e Hamas retomam conversações para prorrogar a trégua em Gaza

Acordo frágil entrou em vigor em 19 de janeiro

Mais de 48 mil pessoas morreram na Faixa de Gaza
Mais de 48 mil pessoas morreram na Faixa de Gaza Foto : Eyad Baba / AFP / CP

Israel e o movimento palestino Hamas pretendem retomar neste domingo (16) as conversações indiretas em Doha, com o auxílio dos mediadores internacionais, para prorrogar a frágil trégua na Faixa de Gaza.

O acordo de trégua, com mediação do Catar, Egito e Estados Unidos, entrou em vigor em 19 de janeiro, após 15 meses de guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

Segundo uma fonte próxima às discussões, uma delegação do Hamas, liderada por Khalil al Hayya, o principal negociador do grupo, partiu do Cairo neste domingo em direção a Doha, onde fica o escritório político do movimento.

No sábado à noite, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "instruiu a equipe de negociadores a se preparar para a continuidade das discussões", anunciou o gabinete do governo após uma reunião com os negociadores e os chefes das forças de segurança "sobre a questão dos reféns" sequestrados durante o ataque de 7 de outubro e levados para Gaza.

As discussões são baseadas na proposta do enviado americano Steve Witkoff, que prevê "a libertação imediata de 11 reféns vivos e metade dos reféns mortos".

Witkoff participou das negociações em Doha nos últimos dias. Das 251 pessoas sequestradas em 7 de outubro de 2023, 58 permanecem em cativeiro em Gaza, 34 delas declaradas mortas pelo exército israelense.

Netanyahu rejeitou a oferta do Hamas de libertar um refém israelense-americano, Edan Alexander, e devolver os corpos de outros quatro israelenses-americanos em troca da libertação de prisioneiros palestinos sob custódia de Israel.

Massacre

Durante a primeira fase do acordo de trégua, que terminou em 1º de março, o Hamas entregou 33 reféns, incluindo oito mortos, e Israel libertou quase 1.800 prisioneiros palestinos.

Mas o prosseguimento da trégua está em perigo. O Hamas exige passar para as negociações sobre a segunda fase, que prevê um cessar-fogo permanente, a retirada israelense de Gaza, a reabertura das passagens de fronteira para a entrada de ajuda humanitária e a libertação dos últimos reféns.

Israel, por sua vez, quer uma extensão da primeira fase até meados de abril e exige, antes de iniciar a segunda etapa, a "desmilitarização total" do território e a saída do Hamas, que controla Gaza desde 2007.

O ataque de 7 de outubro de 2023 no sul de Israel deixou 1.218 mortos, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais e incluindo os reféns mortos em cativeiro.

Em represália, Israel iniciou ofensiva em Gaza que matou pelo menos 48.543 pessoas, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, considerados confiáveis pela ONU, provocando uma tragédia humanitária.

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Apesar da trégua, o exército israelense efetua ataques com frequência na Faixa de Gaza.

No sábado, um deles deixou nove mortos, incluindo quatro jornalistas palestinos, na cidade de Beit Lahia, no norte, segundo a Defesa Civil de Gaza.

O Hamas condenou "um massacre horrível" e "uma violação flagrante do cessar-fogo".

O exército israelense confirmou dois ataques em Beit Lahia, contra "dois terroristas que operavam um drone" e um veículo que transportava "outros terroristas que pretendiam recuperar" o drone.

Segundo o sindicato dos jornalistas palestinos, um repórter e três fotógrafos integravam o grupo atacado. Um deles era especializado em registrar imagens com drones, informou a Defesa Civil.