O Exército de Israel intensificou as operações ao redor da Cidade de Gaza enquanto aguarda os resultados de uma reunião na Casa Branca liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o cenário pós-guerra. O governo israelense enfrenta forte pressão interna e externa para encerrar a ofensiva de quase dois anos na Faixa de Gaza, um território que, segundo a ONU, enfrenta uma fome generalizada.
O movimento islamista palestino Hamas aceitou um projeto de acordo de cessar-fogo e libertação de reféns proposto por países mediadores, mas Israel ainda não respondeu oficialmente. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, prometeu destruir a Cidade de Gaza caso o Hamas não aceite o fim da guerra sob as condições de Israel.
Evacuação "inevitável" e relatos de bombardeios
O Exército de Israel declarou nesta quarta-feira que a evacuação da Cidade de Gaza é "inevitável". "A evacuação da Cidade de Gaza é inevitável... cada família que se deslocar para o sul receberá a mais generosa ajuda humanitária possível", escreveu o porta-voz do Exército, Avichay Adraee, na rede social X.
Moradores do bairro de Zeitoun, na Cidade de Gaza, relataram bombardeios noturnos intensos. "Aviões de guerra bombardearam várias vezes e os drones dispararam durante a noite," disse Tala al Khatib, de 29 anos, à AFP por telefone. Outro morador, Abdel Hamid al Sayfi, de 62 anos, afirmou que não sai de casa desde terça-feira, pois "quem sai é atingido por drones."
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Cenário político e humanitário
Enquanto Israel intensifica as operações, o governo de Trump realiza uma reunião de alto nível na Casa Branca para discutir um plano abrangente para o pós-guerra em Gaza. O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, afirmou à Fox News que a reunião visa formular um "plano muito completo... para o dia seguinte," sem dar mais detalhes.
Em Israel, dezenas de milhares de manifestantes se reuniram em Tel Aviv na terça-feira para exigir o fim da guerra e um acordo para libertar os reféns mantidos pelo Hamas. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a guerra "começou em Gaza e terminará em Gaza. Não deixaremos esses monstros lá."
A ONU declarou situação de fome na região, atribuindo-a à "obstrução sistemática de Israel" na distribuição de ajuda. O Hamas aceitou a última proposta de trégua, que prevê a libertação gradual de reféns ao longo de 60 dias em troca de prisioneiros palestinos. O Catar, um dos mediadores, aguarda a resposta de Israel.