O cargueiro de bandeira irlandesa Rachel Corrie, que leva ajuda humanitária à Faixa de Gaza, teria sido interceptado por forças israelenses na manhã deste sábado, na zona de bloqueio imposta por Israel. As informações seriam de um porta-voz do grupo ativista às agências France Presse e Reuters.
O barco reduziu sua velocidade para não chegar à zona de bloqueio na madrugada. Segundo informações preliminares, o navio foi interceptado a 35 milhas náuticas de Gaza e não houve confronto. O exército de Israel não confirma a ação.
Entre os 15 passageiros, estão a irlandesa Mairead McGuire , vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 1976 , e o ex-responsável pelo programa de alimentos da ONU, Denis Halliday. “Não haverá resistência se forças israelenses abordarem o navio. Provavelmente seremos presos”, disse Mairead.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou ontem que “Israel não vai permitir que o navio chegue a Gaza”. O país pediu que o barco fosse para o porto de Ashdod e prometeu entregar os suprimentos, mas a oferta foi rejeitada. Segundo os organizadores, o Rachel Corrie leva artigos como cadeiras de rodas, medicamentos e concreto.
As afirmações sugerem a possibilidade de novo confronto a respeito do bloqueio de três anos que Israel impõe à Faixa de Gaza, governada pelo Hamas. O episódio pode ocorrer apenas quatro dias depois que um ataque israelense contra uma flotilha de seis navios deixou nove ativistas turcos mortos.
Mairead McGuire, afirmou que os ativistas estão decididos a seguir em frente, mas não resistirão se os militares israelenses abordarem o navio. "Provavelmente eles nos prenderão, mas não haverá resistência", disse McGuire.
Greta Berlin, porta-voz do grupo Free Gaza, disse em Nicósia, no Chipre, que o navio irlandês Rachel Corrie, de 1.200 toneladas, está se dirigindo para Gaza e não vai parar em nenhum porto durante o trajeto. A embarcação tenta entregar centenas de toneladas de ajuda humanitária, o que inclui cadeiras de rodas, medicamentos e concreto.
"Existe um bloqueio marítimo à Faixa de Gaza", disse o diplomata israelense Yossi Gal em Jerusalém. Israel pediu aos ativistas que conduzam o barco ao porto de Ashdod e prometeu entregar os suprimentos à Faixa de Gaza, mas a oferta foi rejeitada. Gal afirma que Israel não deseja abordar o barco. "Se o capitão do navio decidir navegar ao porto de Ashdod, então prometemos a ele uma chegada segura e não o abordaremos", disse o diplomata.
Sem feridos
A onda de indignação internacional que se seguiu ao ataque à flotilha, na segunda-feira, fez com que Netanyahu desse ordens claras aos militares para não ferirem os passageiros do Rachel Corrie, afirmou sob anonimato uma fonte que participou ontem da reunião de gabinete do premier.
Na tarde de hoje o navio estava a 177 quilômetros da costa de Gaza, em águas internacionais, informou o grupo em seu site. Além de McGuire, vencedora do prêmio Nobel da Paz de 1976, o ex-responsável pelo programa de alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU), Denis Halliday, está entre os 11 passageiros a bordo.
O nome do navio irlandês é uma homenagem a uma estudante universitária norte-americana que morreu esmagada por uma escavadeira do Exército de Israel enquanto protestava contra a demolição de casas palestinas em Gaza.
Israel intercepta barco irlandês no Mediterrâneo
A ação ocorreu a 35 milhas náuticas de Gaza e não houve confronto. Exército de Israel não confirma