O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse nesta terça-feira, 12, que autorizará que habitantes da Faixa de Gaza emigrem para o exterior. A medida foi tomada em meio a uma negociação para que o governo do Sudão do Sul receba os refugiados. Aliados de extrema direita da coalizão israelense defendem a expulsão dos palestinos e a ocupação total da área por colonos judeus, o que, segundo analistas, configura crime de limpeza étnica.
Para evitar ser enquadrado como violador do direito internacional, Israel precisa demonstrar que a migração é “voluntária”. Foi o que fez ontem o premiê, quando questionado pelo canal I24 News. 'A emigração ocorre em todos os conflitos. Nós autorizaremos', afirmou.
“Não estamos expulsando, mas permitindo que eles saiam”, disse, sem mencionar se o deslocamento seria temporário ou em definitivo. Outra questão é para onde os palestinos iriam. Egito, Jordânia, Síria e Líbano - países vizinhos - rejeitam receber os refugiados, temendo que o status temporário se torne definitivo.
Uma possibilidade que surgiu nos últimos dias foi o Sudão do Sul. Ontem, vários jornais israelenses e a agência Associated Press revelaram que Israel está em discussões com o governo sul-sudanês.
Acordo
Netanyahu não mencionou especificamente o Sudão do Sul, mas admitiu que há negociações em andamento para reassentar os palestinos. “Estamos conversando com vários países. Não posso entrar em detalhes”, disse.
“O natural, para todos aqueles que afirmam se importar com os palestinos e dizem querer ajudá-los, é abrir suas portas.” Seis pessoas familiarizadas com o assunto confirmaram as negociações à AP.
Não está claro se o diálogo está avançado, mas os planos, se colocados em prática, representariam a transferência de milhares de pessoas para um país a 2,7 mil quilômetros de distância, também devastado pela guerra e em risco de fome, o que já provoca críticas de ativistas.
Oposição
Palestinos, ONGs e grande parte da comunidade internacional rejeitam a ideia, descrevendo a proposta como um modelo de expulsão forçada, em violação ao direito internacional. Joe Szlavik, lobista americano que trabalha para o governo sul-sudanês, confirmou a negociação ao jornal Times of Israel e disse que uma delegação israelense visitará o Sudão do Sul para analisar a possibilidade de montar campos de refugiados.
Para o Sudão do Sul, um acordo poderia representar uma chance de estreitar laços com Israel, agora uma potência militar incontestável do Oriente Médio. Seria também um avanço para o presidente dos EUA, Donald Trump, que foi o primeiro líder de peso a falar abertamente sobre a ideia de realocar a população de Gaza. Edmund Yakani, que dirige uma ONG sul-sudanesa, diz que também conversou com autoridades locais sobre as negociações e critica um eventual acordo.
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“O Sudão do Sul não pode se tornar um depósito de gente”, afirmou. “O país não deve aceitar o uso de pessoas como moeda de troca.” Duas autoridades egípcias disseram à AP que sabem há meses dos esforços de Israel para encontrar um país que aceite os refugiados palestinos, incluindo o Sudão do Sul. De acordo com os dois funcionários, o Egito vem pressionando o governo sul-sudanês a não aceitar o acordo.
Somalilândia
Outra possibilidade, de acordo com a AP, seria enviar os moradores da Faixa de Gaza para a Somalilândia, região separatista da Somália que luta há anos para ter sua soberania reconhecida pela comunidade internacional. Autoridades locais receberiam os palestinos em troca do reconhecimento dos EUA e de Israel.