Leia mais sobre a onda de violência no Egito
Com as manifestações de rua ameaçando o regime de Hosni Mubarak no Egito, as autoridades disseram que Israel concordou em permitir que o país transferisse dois batalhões, ou cerca de 800 soldados, para o Sinai. Os militares foram enviados para a área do balneário de Sharm el-Sheikh, na ponta sul do Sinai.
O Ministério de Relações Exteriores de Israel, por sua vez, solicitou a seus diplomatas no exterior que peçam aos EUA e aos países da União Europeia que parem de criticar o presidente egípcio Hosni Mubarak, afirmando que é do interesse do Ocidente que Mubarak permaneça no cargo, segundo informações do jornal israelense Haaretz.
Segundo o diário, a chancelaria emitiu a diretriz, por telegrama, a embaixadas em pelo menos 12 países na noite de sábado. Qualquer troca de regime no Egito colocaria a estabilidade da região em perigo, afirmou o ministério aos diplomatas, de acordo com o Haaretz. Membros do governo estão proibidos de falar oficialmente com a imprensa sobre o assunto.
Israel e o Ocidente apoiam o regime de Mubarak, apesar de o líder egípcio ser reconhecidamente considerado um ditador - ele está há 30 anos no poder. Um dos motivos para esse apoio é a manutenção de um Estado sem as diretrizes islâmicas, o que, aos olhos de israelenses e americanos, não é uma ameaça à segurança e À estabilidade da região.
Caos no aeroporto de Cairo
O aeroporto internacional do Cairo é palco de cenas de caos e confusão nesta segunda-feira, com milhares de estrangeiros tentando fugir do Egito. Vários países estão enviando aviões para retirar seus cidadãos do território egípcio. Com os nervos à for da pele, os passageiros gritavam e alguns chegaram até mesmo a entrar em luta corporal, enquanto milhares de pessoas se espremiam no terminal 3 do aeroporto do Cairo, tentando pegar um voo para casa.
Numa tentativa de reduzir as tensões, o aeroporto parou de anunciar o horário dos voos, mas isso só aumentou a raiva com os voos cancelados ou atrasados. Por volta do meio-dia (horário local), um anúncio informou os passageiros dinamarqueses, alemães, chineses, britânicos e canadenses que seus governos haviam enviado aviões para retirá-los do país, dando início a uma correria nervosa na direção dos portões de embarque.
Para piorar a situação, os balcões de check-in contam com poucos funcionários, já que muitos empregados da EgyptAir não conseguiram chegar ao trabalho em razão do toque de recolher, que vai das 15h às 8h, e do colapso do tráfego em vários pontos da capital egípcia.
Um avião militar norte-americano pousou hoje no aeroporto de Larnaca, no Chipre, com 42 funcionários da embaixada e seus dependentes, que deixaram o Egito. James Ellickson-Brown, da embaixada dos Estados Unidos em Nicósia, disse que pelo menos mais um avião deve chegar ainda hoje com cerca de 180 pessoas, a maioria cidadãos norte-americanos. A secretária assistente de Estado norte-americana, Janice Jacobs, afirmou que serão necessários vários voos nos próximos dias para retirar os milhares de norte-americanos que querem deixar o Egito.