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Israel pode libertar palestino em greve de fome se ele deixar o país

Advogado havia pedido a libertação do prisioneiro por razões médicas

Advogado havia pedido a libertação do prisioneiro por razões médicas
Advogado havia pedido a libertação do prisioneiro por razões médicas Foto : Ahmad Gharabli / AFP / CP
O governo israelense disse estar disposto a libertar Mohammed Allan, o prisioneiro palestino em greve de fome que se tornou um símbolo da luta contra a detenção sem acusação, caso ele concorde em deixar o país. O advogado de Mohammed Allan imediatamente rejeitou a proposta feita durante uma audiência do Supremo Tribunal. O advogado havia pedido a libertação do prisioneiro por razões médicas.

O tribunal decidiu se reunir novamente nesta quarta-feira para discutir a questão. "O Estado está pronto para considerar a libertação se ele concordar em ir para o exterior por um período de pelo menos quatro anos", declarou o Ministério da Justiça israelense em uma declaração durante a audiência. "Rejeitamos categoricamente esta proposta", disse seu advogado Jamil al-Khatib.

Allan, de 31 anos e apresentado pela Jihad Islâmica como um de seus membros, é um advogado de Nablus, na Cisjordânia ocupada. Ele está detido desde novembro de 2014. A Jihad Islâmica é designada por Israel como uma organização terrorista. Allan iniciou uma greve de fome em 18 de junho, para protestar contra sua detenção administrativa, uma medida extrajudicial renovável indefinidamente a cada seis meses que permite prender alguém sem julgamento ou acusação.

Ele entrou em coma nessa sexta-feira após ter ingerido apenas água sem suplemento e ter recusado qualquer tratamento.
O destino de Allan, praticamente desconhecido há algumas semanas, mobiliza a opinião pública palestina. Desde que ele perdeu a consciência, médicos israelenses colocaram-no em respirador artificial e administraram água com minerais e vitaminas para mantê-lo vivo. Um médico do hospital Ashkelon, onde esta internado, afirmou à justiça que ele não parecia ter sofrido danos irreparáveis, mas que provavelmente não sobreviveria se retomasse sua greve de fome. "Ele sucumbirá rapidamente", disse o médico.

O caso de Allan tem um significado especial na perspectiva de um novo contexto legal. O Parlamento israelense aprovou uma lei no final de julho que autoriza a alimentação forçada de prisioneiros em greve de fome caso sua vida esteja ameaçada. O governo de Israel pode ter que decidir se Allan será o primeiro a receber esse tratamento controverso.