Israel prometeu, neste sábado (27), acabar com a presença em Gaza da Agência da ONU para os
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O governo dos Estados Unidos anunciou na sexta-feira a suspensão temporária do financiamento à agência, uma decisão imitada neste sábado por Austrália, Canadá, Itália e Reino Unido.
A UNRWA, na mira das autoridades israelenses há muito tempo, demitiu vários funcionários depois que Israel acusou estas pessoas de envolvimento no ataque do movimento islamista contra seu território. Washington afirmou que a agência da ONU demitiu 12 empregados. Os atos concretos pelos quais os funcionários são acusados não foram revelados. Mas o titular da diplomacia israelense afirmou neste sábado que a UNRWA não tem futuro na Faixa de Gaza, onde os combates não dão trégua desde o fim de outubro.
O governo pretende garantir que a UNRWA "não será parte" da solução no território palestino após a guerra, declarou o ministro Yisrael Katz. Em um comunicado, ele expressou o desejo de "deter" todas as atividades da agência.
O Hamas denunciou as "ameaças" israelenses contra a UNRWA e fez um apelo para que a ONU e outras organizações internacionais "não cedam às ameaças e à chantagem".O grupo islamista, classificado como "organização terrorista" por Israel, Estados Unidos e União Europeia, acusou o governo israelense de querer "cortar os fundos e privar" os moradores de Gaza de qualquer ajuda.
O ministro de Assuntos Civis da Autoridade Palestina, Hussein al Sheikh, pediu aos países que decidiram retirar o apoio à UNRWA que "revertam imediatamente esta decisão". A agência, insistiu, "precisa do máximo de apoio [...] não cortem a ajuda e a assistência".
A guerra começou em 7 de outubro, quando os combatentes do Hamas atacaram o sul de Israel, mataram quase 1.140 pessoas, a maioria civis, e sequestraram outras 250, segundo um balanço da AFP elaborado com base em dados oficiais israelenses.
Em resposta, Israel iniciou uma ofensiva aérea e terrestre que deixa, até o momento, pelo menos 26.257 mortos em Gaza, a maioria mulheres e menores de idade, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, que governa o pequeno território palestino.
"Papel vital"
As relações entre Israel e UNRWA pioraram depois que a agência da ONU atribuiu a tanques israelenses os disparos que atingiram, na quarta-feira, um de seus centros de abrigo aos deslocados em Khan Yunis, no sul de Gaza.
Ao menos 13 pessoas morreram e 56 ficaram feridas no ataque, segundo a agência, que denunciou uma "violação flagrante das regras fundamentais da guerra". O Exército israelense anunciou uma "investigação exaustiva" de suas operações na região, mas não descartou a responsabilidade do Hamas nesse ataque. O Exército israelense é a única força que possui tanques destacados em Gaza.
O alto representante para a política externa da União Europeia, Josep Borrell, pediu prudência. Apesar de ter reconhecido que a agência desempenha um "papel vital" em Gaza, ele afirmou que espera "total transparência" e "medidas imediatas" antes de tomar uma decisão.
Itália, Austrália, Canadá e Reino Unido decidiram suspender temporariamente o financiamento à agência. Johann Soufi, advogado internacional e ex-diretor do departamento jurídico da UNRWA em Gaza, afirmou à AFP que a agência tem "política de tolerância zero com a violência e a incitação ao ódio".
"Adotar sanções contra a UNRWA [...] pela suposta responsabilidade de alguns poucos funcionários equivale a punir coletivamente a população de Gaza, que vive em condições humanitárias catastróficas", disse.