• Conselho de Segurança da ONU pede trégua imediata e pausas humanitárias em Gaza
• Manifestação pró-Israel reúne milhares em Paris
• ONU alerta que civis estão "à beira do precipício" em Gaza
Enquanto os Estados Unidos condenaram os ataques que mataram pelo menos 16 refugiados palestinos na quarta-feira em uma escola, considerando que há poucas dúvidas sobre a origem israelense, o Conselho de Segurança da ONU pediu novamente "um cessar-fogo imediato e sem condições".
"Estamos determinados em concluir" a destruição dos túneis do Hamas "com ou sem cessar-fogo", afirmou Netanyahu no 24º dia de uma nova guerra devastadora, após o anúncio da mobilização de 16.000 reservistas adicionais - elevando o total para 86.000 mobilizados - e do fornecimento de munições americanas.
De acordo com o general Sami Turgeman, a destruição desses túneis é "uma questão de dias". O Hamas, que controla o enclave palestino, recusa qualquer cessar-fogo sem uma retirada das tropas israelenses do território, o fim dos ataques e uma suspensão do bloqueio imposto por Israel desde 2006.
Após o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, condenou os ataques israelenses que atingem casas, escolas, hospitais e centros de refugiados, e denunciou "um ato de desafio deliberado" ao direito internacional.
“'Que o Hamas continue”
O Exército israelense intensificou ainda mais a sua ofensiva, penetrando no território palestino, onde onze pessoas morreram na noite desta quinta em um ataque contra uma casa no campo de refugiados de Nusseirat (centro).
O total de mortos chegou a 1.437 em Gaza, de acordo com os serviços de emergência. A grande maioria das vítimas é de civis. "Um drone bombardeou nossa casa. As pessoas vieram nos ajudar e o drone bombardeou novamente. Três morreram", contou Mahmud Alyan, um enfermeiro de 23 anos de Beit Lahiya, que chegava ao hospital Al-Shifa, em Gaza, com um ferimento na barriga.
"Quero que o Hamas continue esta guerra, que expulse Israel de Gaza", acrescentou, enquanto corpos carbonizados chegavam ao hospital. "A cada dois anos há uma guerra aqui, mas esta é realmente a pior", considerou seu amigo Iyad Salim, de 23 anos, que já tinha sido atingido durante a operação israelense de 2008.
A esperança de Kerry
A Casa Branca reconheceu que há poucas dúvidas sobre a autoria israelense dos disparos contra a escola e considerou que esse bombardeio é "totalmente inaceitável e totalmente indefensável".
Os Estados Unidos também aceitaram um pedido de fornecimento de munições ao Estado hebreu, com o Pentágono reiterando o compromisso de Washington em "garantir a segurança de Israel".
Em relação à situação na Faixa de Gaza, o chefe da agência da ONU para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), Pierre Kröhenbühl, alertou que a população civil está "à beira do abismo" e lamentou o surgimento de epidemias.
Mais de 230.000 refugiados estão aglomerados em condições precárias nos 85 centros da agência em Gaza, sem energia elétrica e quase sem água e alimentos.
O Exército israelense, que perdeu 56 soldados, anunciou a destruição de cerca de trinta túneis subterrâneos, geralmente ligados entre si, enquanto especialistas israelenses falam de uma "Gaza embaixo de Gaza" de onde o Hamas ataca.
Desde o dia 8 de julho, o Exército israelense contabilizou cerca de 3.000 foguetes disparados em direção a Israel, que mataram três civis.
Pelo menos quatro foguetes foram destruídos em pleno voo na noite desta quinta-feira e outro provocou estragos em uma casa em Kyriat Gat, no sul de Israel, ferindo um civil, segundo o Exército.
Os esforços diplomáticos foram retomados. Uma delegação israelense chegou ao Cairo, capital do Egito, para negociações. Nenhuma delegação palestina foi vista até o momento. Em viagem à Índia, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que os Estados Unidos mantêm "a esperança" em um cessar-fogo e insistiu: "Quanto mais rápido, melhor".
E enquanto várias manifestações pró-palestinas foram realizadas em todo o mundo nas últimas semanas, milhares de pessoas se reuniram nesta quinta em Paris aos gritos de "Israel, legítima defesa" e "Hamas Al-Qaeda, mesma luta".