Mundo

Israel reabre a passagem de Rafah de maneira limitada

Passagem para o Egito é o único ponto de entrada e saída da Faixa de Gaza que não passa por Israel

Passagem é vital para o envio de ajuda humanitária
Passagem é vital para o envio de ajuda humanitária Foto : BASHAR TALEB / AFP / CP

Israel reabriu de forma limitada neste domingo, 1, a passagem de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, vital para o envio de ajuda humanitária, que no momento só pode ser utilizada pelos moradores do território e sob condições drásticas. O posto é o único ponto de entrada e saída entre a Faixa de Gaza e o exterior que não passa por Israel.

O Cogat, o órgão do Ministério da Defesa israelense que supervisiona as questões civis nos Territórios Palestinos Ocupados, não mencionou um aumento da ajuda e afirmou que a passagem de pessoas nos dois sentidos não começará antes de segunda-feira, uma vez "concluídos os preparativos".

A reabertura foi solicitada com insistência pela ONU e por ONGs internacionais para permitir a entrada de ajuda no território palestino, devastado por dois anos de guerra contra o movimento islamista palestino Hamas. Israel anunciou que a passagem fronteiriça estará limitada "ao trânsito dos habitantes" da Faixa de Gaza. "Nesse âmbito, uma fase piloto inicial começou hoje (domingo) em coordenação com a missão da União Europeia (EUBAM) e as autoridades competentes", ressaltou o Cogat.

Segundo uma fonte do Ministério da Saúde de Gaza, que atua sob a autoridade do Hamas, "quase 200 pessoas enfermas" aguardavam a reabertura para receber tratamento no Egito. Em um novo revés para as organizações humanitárias, Israel anunciou que a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) terá que deixar Gaza até 28 de fevereiro por ter se recusado a fornecer a lista de seus funcionários palestinos.

"Esperança"

"Esta abertura parcial abre uma pequena porta de esperança para os doentes", disse Amine Al-Hilu, 53 anos, que vive em uma tenda no norte do território e deseja uma abertura "sem restrições".

A reabertura acontece no contexto de uma trégua frágil entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas. No sábado, bombardeios israelenses deixaram 32 mortos, segundo a Defesa Civil de Gaza, um dos dias mais violentos desde o início da trégua, em 10 de outubro de 2025. Israel afirmou que respondeu a violações do cessar-fogo.

A passagem de fronteira está fechada desde que as forças israelenses assumiram o controle do posto, em maio de 2024, com exceção de uma reabertura limitada no início de 2025, no âmbito de uma trégua anterior.

A reabertura total está prevista no âmbito do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para acabar em definitivo com a guerra iniciada em 7 de outubro de 2023 com o violento ataque do Hamas contra Israel. Um porta-voz do movimento islamista palestino Hamas, Hazem Qasem, advertiu que "qualquer obstrução ou condição prévia imposta por Israel" constituiria "uma violação do acordo de cessar-fogo".

Veja Também

O Cogat havia alertado na sexta-feira que seria necessária "uma autorização de segurança prévia" das autoridades israelenses para entrar e sair da Faixa de Gaza, em coordenação com o Egito e sob a supervisão da missão europeia. "Ainda não foi alcançado nenhum acordo sobre o número de palestinos autorizados a entrar e sair", declararam algumas fontes na passagem de fronteira. Também indicaram que o Egito pretende permitir a entrada de "todos os palestinos autorizados por Israel a sair de Gaza".

Na devastada Faixa de Gaza, muitos palestinos aguardavam com ansiedade a possibilidade de partir. "Cada dia que passa, meu estado piora", disse Mohammed Shamiya, 33 anos, que enfrenta uma doença renal que exige tratamento de diálise e espera desesperadamente uma viagem ao exterior para receber atendimento médico.

A reabertura também deveria permitir a entrada em Gaza dos 15 membros do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), responsável por administrar o território durante um período transitório sob a supervisão do Conselho da Paz, presidido por Donald Trump.

Enquanto Israel e o Hamas trocavam acusações diárias sobre violações do cessar-fogo, o governo dos Estados Unidos anunciou em meados de janeiro a passagem à segunda fase do plano de paz, que prevê, entre outras coisas, o desarmamento do Hamas, a saída progressiva do Exército israelense de Gaza e a presença de uma força internacional de estabilização.