Doze foguetes disparados da Faixa de Gaza caíram no sul de Israel mesmo após o início oficial da trégua entre Israel e os grupos armados palestinos ligados ao movimento islâmico Hamas. Além disso, uma hora após o cessar-fogo, que entrou em vigor às 19h, o sistema de defesa aérea israelense "Domo de Ferro" interceptou um foguete sobre a cidade de Ashkélon. Não foram registradas vítimas fatais.
O exército israelense informou que 130 foguetes foram disparados nesta quarta-feira da Faixa de Gaza, totalizando 1300 foguetes lançados pelos grupos palestinos contra o território israelense em uma semana. Pouco antes da entrada em vigor da trégua, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, braço armado do Hamas, reivindicaram o disparo de 10 foguetes Grad contra Beersheba, capital do Néguev, e outros dois contra Ashdod.
A trégua foi anunciada no Cairo pelo chefe da diplomacia egípcia, Mohammed Kamel Amr, ao lado da secretária americana de Estado, Hillary Clinton. Os combates na Faixa de Gaza mataram 155 palestinos e cinco israelenses. Obama agradeceu Netanyahu por ter aceitado a proposta egípcia. "O presidente expressou sua satisfação vis-à-vis os esforços realizados pelo primeiro-ministro para trabalhar por um cessar-fogo durável e por uma solução a longo prazo, em cooperação com o novo governo egípcio", informou o Poder Executivo americano.
Assolados por oito dias de ataques aéreos israelenses incessantes, os habitantes de Gaza fizeram grandes comemorações após o início da aplicação do cessar-fogo. Tiros eram disparados para o alto para celebrar junto com fogos de artifício e cantos de "Allah akbar (Deus é grande), a resistência triunfou" nas ruas do enclave palestino, sempre sobrevoadas pelos aviões sem piloto israelenses.
Segundo os termos do acordo, assim como foi divulgado pela Presidência egípcia, "Israel deve cessar todas as hostilidades por via terrestre, aérea e marítima na Faixa de Gaza, incluindo as incursões e a tomada de pessoas como alvo". Por sua vez, "todas as facções palestinas devem suspender as hostilidades a partir da Faixa de Gaza em direção a Israel, incluindo os ataques de foguetes e todos os ataques ao longo da fronteira".
O texto prevê também a abertura de negociações 24 horas depois da entrada em vigor da trégua sobre "medidas que permitam abrir os postos de passagem com Gaza visando a facilitar a circulação de pessoas e bens". A Faixa de Gaza está submetida a um bloqueio israelense há vários anos.
Em entrevista coletiva à imprensa, Netanyahu afirmou que Israel e Washington combaterão conjuntamente o contrabando de armas proveniente do Irã, após a confirmação feita por uma autoridade iraniana de uma ajuda "militar" de seu país aos islamitas do Hamas.
O presidente egípcio, eleito em junho, é membro da Irmandade Muçulmana, movimento que deu origem ao Hamas no poder em Gaza. Mas Mursi está também à frente de um país vinculado desde 1979 por um tratado de paz com Israel, e que tem uma longa experiência de mediação com o Estado hebreu vizinho. Uma delegação do Hamas estava no Cairo para as negociações supervisionadas pelo serviço de inteligência egípcio. O Cairo foi um dos locais escolhidos para os esforços diplomáticos com as visitas de Hillary Clinton, do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e de autoridades turcas, alemãs e do Qatar.
Obama "agradeceu ao presidente Mursi pelos esforços que realizou para obter um cessar-fogo duradouro e por seu papel decisivo na negociação". Ban Ki-moon e a França também saudaram o acordo de cessar-fogo. Pouco antes do anúncio do acordo, novos ataques israelenses mataram sete palestinos em Gaza, elevando para 18 o número de pessoas mortas nesta quarta-feira.
Israel registra 12 disparos de foguetes após a trégua
Acordo com o Hamas foi obtido após esforços de negociação de EUA e Egito