No Líbano, uma fonte diplomática indicou que o ataque tinha destruído mísseis terra-ar fornecidos recentemente pela Rússia, que estavam armazenados no aeroporto de Damasco. Na sexta, a agência oficial síria Sana havia anunciado que rebeldes tinham disparado dois foguetes contra o aeroporto da capital, atingindo um avião e um reservatório de querosene.
"As agências americanas e ocidentais de inteligência examinaram as informações confidenciais indicando que Israel provavelmente executou um ataque aéreo entre quinta e sexta-feira", enquanto aviões de combate desse país sobrevoavam o Líbano, informou a rede de televisão CNN, citando autoridades americanas. De acordo com a NBC, "o principal alvo de Israel era uma carregamento de armas destinado ao Hezbollah, no Líbano", referindo-se ao movimento xiita libanês, inimigo de Israel. Um alto funcionário americano indicou a essa rede de notícias que o ataque visava, provavelmente, sistemas de lançamento de armas químicas, mas outras autoridades consultadas pela CNN questionaram essa informação.
Recusando-se a confirmar o ataque, um membro do Ministério israelense da Defesa indicou que "Israel acompanha a situação na Síria e no Líbano, particularmente em relação à transferência de armas químicas e de armas especiais". Outro alto funcionário do Ministério da Defesa, Amos Gilad, citado pela imprensa local, não quis confirmar o ataque, mas ressaltou que o Hezbollah não possui armas químicas sírias e não deseja obtê-las.
"A Síria tem grandes quantidades de armas químicas e de mísseis. Tudo está sob controle (do regime sírio). O Hezbollah não tem armas químicas. Temos como saber disso. Não precisa ter essas armas e prefere sistemas que possam cobrir todo o país (Israel)", afirmou essa autoridade, referindo-se ao arsenal convencional do Hezbollah, principalmente aos seus foguetes de longo alcance.
Israel reivindicou implicitamente a responsabilidade por uma operação aérea no final de janeiro contra instalações militares na Síria. Um comunicado do Exército libanês indicou vários sobrevoos de caças-bombardeiros israelenses na noite de quinta para sexta-feira.
Novo massacre
No terreno, o horror da guerra aflige os habitantes do país alauita – comunidade do chefe de Estado Bashar al-Assad – no oeste sírio. Pelo menos 62 corpos, entre eles o de 14 crianças, foram encontrados neste sábado em um bairro de Banias (ONG), no oeste sírio, invadido na véspera pelas forças do regime de Bashar al-Assad, afirmou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). "Esse número pode aumentar porque dezenas de cidadãos ainda estão desaparecidos", acrescentou esta ONG que se baseia em uma ampla rede de militantes, médicos e fontes militares em todo o país.
Após essa matança, centenas de famílias fugiam neste sábado dos bairros sunitas. De acordo com o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, "elas começaram a fugir esta manhã dos bairros sunitas do sul da cidade em direção a Tartous e Jablé", respectivamente ao sul e ao norte de Banias.
Na quinta, um outro massacre foi registrado na localidade sunita de Bayda, na periferia sul de Banias. O OSDH indicou pelo menos 50 mortos, em sua maioria civis, informando que as mortes tinham sido causadas por execuções sumárias e bombardeios.
A Coalizão opositora indica em um comunicado que "a multiplicação dos massacres se transforma em uma operação de limpeza étnica que se assemelha à efetuada pelas forças sérvias na Bósnia há vinte anos", referindo-se ao conflito na ex-Iugoslávia. A Coalizão indicou ainda que há "um êxodo"nesta região.
O governo dos Estados Unidos lamentou neste sábado as informações relativas ao "massacre" cometido em Bayda e advertiu que "os responsáveis por violações dos direitos humanos terão que prestar contas". "Os Estados Unidos estão horrorizados com as terríveis informações sobre mais de cem mortos no dia 2 de maio em horríveis ataques na cidade de Bayda", escreveu em um comunicado Jennifer Psaki, porta-voz do Departamento de Estado.
Um vídeo filmado no bairro de Ras al-Nabaa por militantes e divulgado pelo OSDH mostra uma pilha de corpos ensanguentados em uma rua, com pelo menos uma criança entre eles. A ONG havia indicado em um último registro ao menos 50 mortos em Bayda, em sua maioria civis, indicando que as mortes tinham sido causadas por execuções sumárias e bombardeios.
Ainda neste sábado, o presidente sírio, Bashar al-Assad, inaugurou, na Universidade de Damasco, um marco em memória de estudantes mortos desde o início da revolta neste país, em março de 2011, segundo a agência Sana. Esta é sua segunda aparição pública em quatro dias. A violência causou a morte de 122 pessoas na sexta, incluindo 56 civis, segundo o OSDH.