O Ministério Público de Bari (sudeste da Itália) anunciou nesta segunda-feira a abertura de uma investigação criminal sobre o incêndio do ferry "Norman Atlantic", que deixou ao menos um morto.
O procurador Giuseppe Volpe anunciou a abertura desta investigação depois de visitar a capitania do porto de Bari, onde chegaram nesta segunda-feira 50 pessoas resgatadas no incêndio. O ferry "Norman Atlantic" se incendiou no domingo com 478 pessoas a bordo. Cerca de 300 já foram evacuadas sãs e salvas, segundo a marinha militar italiana.
As autoridades marítimas italianas, gregas e albanesas tentavam resgatar 200 pessoas que continuavam na manhã desta segunda-feira a bordo do ferry incendiado na véspera no mar Adriático com 478 passageiros. Até as 6h (3h de Brasília), os helicópteros e as embarcações mobilizadas nas operações de resgate haviam socorrido 290 pessoas do "Norman Atlantic", indicou a marinha italiana.
Outras 188 ainda permaneciam na embarcação em meio a um mar agitado, ao frio e à fumaça do fogo já extinto. Os primeiros passageiros resgatados chegaram na madrugada desta segunda-feira ao porto italiano de Brindisi (sudeste), situado a 40 milhas (75 quilômetros) da posição estimada do ferry no mar Adriático.
As autoridades marítimas italianas, que coordenam os trabalhos de socorro, e as autoridades gregas acordaram se revezar para socorrer os passageiros, de 26 nacionalidades diferentes. Além disso, Roma mobilizou quatro rebocadores com o objetivo de conduzir o "Norman Atlantic" a Brindisi, quando a evacuação dos passageiros e dos membros da tripulação tiver terminado.
O barco também pode ser levado à Albânia, país situado a uma distância menor, se for necessário. O porta-contêineres "Spirit de Piraeus", de bandeira cingapuriana, com 49 pessoas resgatadas a bordo, chegou por volta das 6hGMT (4h de Brasília) ao porto de Bari.
O "Spirit de Piraeus" havia tentado alcançar o porto de Brindisi, mas as fortes ondas impediram qualquer manobra de aproximação, razão pela qual foi desviado a Bali, 100 km ao norte. "A situação é boa" para essas pessoas, em sua maioria gregas, disse o prefeito de Bari, Antonio Nunziante, interrogado pela rede de televisão italiana SkyTG24. O fogo foi declarado na madrugada de domingo na área reservada aos veículos da embarcação, assolada por fortes ventos e ondas. Os passageiros, muitos deles italianos e turcos, haviam partido do porto grego de Patras (sudoeste) rumo a Ancona (leste da Itália).
Um avião C-130 do exército grego chegou na madrugada desta segunda-feira à cidade italiana de Lecce para recolher os gregos socorridos do "Norman Atlantic", indicou o ministério da Defesa. Tendas em Brindisi Em Brindisi, os membros da defesa civil e de outros serviços de socorro ergueram tendas no terminal de passageiros do porto para acolher as pessoas resgatadas. Por volta da 1h GMT desta segunda-feira (23h de Brasília), enquanto o ferry se encontrava a 40 milhas náuticas de Brindisi, a polícia portuária grega indicou que os helicópteros suspenderam suas operações e que os passageiros eram levados a uma embarcação da marinha italiana. No entanto, o mau tempo obrigou a paralisar pouco depois esta transferência, disse.
"A noite será longa", disse em um tuíte na noite de domingo o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi. A companhia grega Anek fretou este ferry, de bandeira italiana e construído em 2009, que havia passado com êxito por uma inspeção em 19 de dezembro. Segundo o armador italiano, havia sido detectado um problema em uma das portas corta-fogo situada na ponte número 5, precisamente onde o incêndio foi declarado, indicou o grupo Visenti, citado pela agência Ansa.
A bordo viajam principalmente gregos (268), turcos (54), italianos (44), albaneses (22), alemães (18), suíços (10) e franceses (10), mas também havia russos, austríacos, britânicos e holandeses. "Todos estamos na ponte, estamos molhados, temos frio, tossimos por causa da fumaça, há mulheres, crianças e idosos", havia indicado com voz cansada Giorgos Styliaras, um dos passageiros interrogados por telefone pelos meios de comunicação gregos.
Itália abre investigação criminal por incêndio de ferry
Mar agitado dificulta operações de resgate