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Itália tem menor número pacientes com Covid-19 em UTI em quase um mês

País mais castigado da Europa pela novo coronavírus dá indícios de lenta recuperação

Neste sábado, foram registradas mais 482 mortes pelo novo coronavírus,
Neste sábado, foram registradas mais 482 mortes pelo novo coronavírus, Foto : Miguel Medina / AFP / CP

A Itália, país mais castigado da Europa pela novo coronavírus, dá indícios de lenta recuperação em meio à pandemia. Depois de registrar recorde de pacientes com cura clínica da Covid-19 nessa sexta, a nação italiana observa a quantidade de pacientes diminuir nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), com o menor número de internados em quase um mês: 2.733 pacientes, uma redução de 79 leitos em relação a ontem. Esse é o índice mais baixo desde 20 de março, quando 2.655 italianos estavam internados neste regime.

O número de  hospitalizações também diminuiu na comparação com a sexta-feira. São 25.007 pessoas, uma queda de 779 pacientes em relação a ontem. Neste sábado, foram registradas mais 482 mortes pelo novo coronavírus, aumentando o número total de vítimas para 23.227, informou a Proteção Civil italiana. O número é inferior ao registado na sexta-feira (575). 

Confirmaram-se ainda mais 3.491 casos de infecção nas últimas 24 horas, praticamente o mesmo número do dia anterior (3.493). O total de infectados desde o início da pandemia é de 175.925.

Contudo, houve aumento no número de pessoas atualmente positivas: 809 ante 355 na sexta. Desses, 761 diagnósticos foram registrados na Lombardia, a região mais afetada pela pandemia. É o aumento mais significativo na Lombardia desde 12 de abril.

Preparação para o desconfinamento

Com a redução da quantidade de doentes, a Itália está ansiosa pela saída do confinamento. "Estamos nos preparando para reabrir em 4 de maio", afirma Atilio Fontana, governador da Lombardia, a região mais castigada pela Covid-19, com 12 mil mortos.

Em vigor desde 9 de março, as medidas restritas vão durar até 3 de maio. Mas o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, sofre uma forte pressão do empresariado pela reabertura de lojas e comércios. A ideia é apoiada por alguns membros do governo, como a ministra da Família, Elena Bonetti. "Algo precisa mudar nas duas próximas semanas para as crianças. Nossas crianças têm o direito de brincar", afirmou durante a semana.

Já as autoridades do sul do país – menos atingido pelo coronavírus – temem uma volta prematura à normalidade. Vicenzo De Luca, governador da região de Campânia, no sudoeste, afirma que, se o fim do confinamento atingir toda a população, pode ser decretada a proibição da entrada de italianos do norte.

Sinal de que a vitória contra o coronavírus ainda está longe, comboios militares transportaram na sexta-feira dezenas de corpos de Bergamo a Novara, no norte do país, onde as funerárias não conseguem mais atender a demanda devido à alta quantidade de óbitos.

Igreja do cemitério de Bérgamo vazia de caixões

"A igreja do cemitério de Bérgamo vazia. Finalmente". O prefeito da cidade italiana publicou neste sábado no Twitter uma foto do interior do templo sem os vários caixões que o local teve que receber por várias semanas devido à pandemia de coronavírus. A imagem e o tuíte ilustram a queda da pressão sobre a Itália e, em particular, a Lombardia, que sai de uma fase aguda da crise de saúde.

Membro do Partido Democrata, Giorgio Gori é prefeito da cidade de Bérgamo, considerada na Itália a localidade-mártir da pandemia. Em outra mensagem, publicada na quinta-feira, ele explicou que 795 de seus funcionários morreram entre 1º de março e 12 de abril.