O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, convocou para hoje em Roma, uma reunião extraordinária com o embaixador italiano no Brasil, Gherardo La Francesca. Também participará o representante italiano na União Europeia (UE), Nelli Feroci. Em pauta, a decisão do governo brasileiro de manter no Brasil o ex-ativista italiano Cesare Battisti, negando a extradição. As informações foram divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália.
“(A reunião tem o objetivo de) examinar o processo acompanhado pelo governo italiano sobre o caso Cesare Battisti e a repercussão na Europa”, informa o Ministério das Relações Exteriores da Itália, em um breve comunicado. Segundo diplomatas, o embaixador italiano no Brasil foi chamado por Fratini para prestar esclarecimentos sobre o assunto e a tramitação do processo.
No último dia 31, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que Battisti deve ser mantido no Brasil e recusou a extradição. O caso ainda vai ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), provavelmente em fevereiro, depois do recesso jurídico. Para autoridades e juristas italianos, o ideal é a conceder a extradição de Battisti. Há informações de que o governo italiano estuda recorrer da decisão no Tribunal de Haia e até retaliar o Brasil na União Europeia.
Porém, o advogado-geral da União (AGU) , Luís Inácio Adams, amenizou o mal-estar entre o Brasil e a Itália. Segundo ele, o governo italiano tem o “direito universal” de questionar a decisão brasileira e recorrer. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que não há o que comentar sobre o assunto. O primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, se reuniu com o filho de uma das supostas vítimas de Battisti, e ressaltou que as relações diplomáticas entre os dois países permanecem inalteradas.
Desde março de 2007, o italiano está preso preventivamente na Penitenciária da Papuda, em Brasília, por determinação da Suprema Corte. O ex-ativista foi condenado à revelia na Itália à prisão perpétua por participação nos quatro crimes.