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Itamaraty diz que gaúcha comparecerá a todas as audiências na Rússia

Ministério das Relações Exteriores quer "desfecho positivo" sobre o caso

O governo brasileiro anunciou que instruiu o embaixador do país em Moscou, Fernando Mello Barreto, a assinar uma carta de garantia que deverá contribuir para o encaminhamento positivo do caso da bióloga gaúcha Ana Paula Maciel, de 31 anos, indiciada por pirataria em grupo organizado, um crime que pode ser punido com pena de entre 10 e 15 anos de prisão na Rússia.

O ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou que a carta de garantia assegura que ela comparecerá a todas as audiências da investigação. Nesta quinta-feira, a justiça russa indiciou 30 ativistas do Greenpeace que participaram de uma ação no Ártico, informou o Comitê de Investigação. "Os acusados não reconhecem sua culpa e se negam a testemunhar com base nestas acusações", acrescentou.

Os membros da tripulação, quatro russos e 26 estrangeiros de 17 países, incluindo a bióloga gaúcha, estão detidos em Murmansk e proximidades, noroeste da Rússia, desde 19 de setembro, quando um comando da guarda costeira russa abordou o barco 'Arctic Sunrise', que navegava pelo mar de Barents (Ártico russo). Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace International, denunciou uma decisão "irracional, que pretende intimidar e silenciar" a organização.

Segundo a ONG, cerca de 800 mil pessoas, mais de 100 ONGs e personalidades como o ator britânico Ewan MacGregor e o cantor russo Iuri Chevtchuk assinaram um pedido para a libertação dos ativistas. Os advogados dos 30 militantes apresentaram um recurso contra a detenção, indicou um porta-voz do tribunal Leninski de Murmansk.

Vários ativistas tentaram escalar uma plataforma petroleira da empresa russa Gazprom para denunciar o risco ecológico da atividade. Os militantes negaram as acusações e atribuíram à Rússia uma ação ilegal no barco em águas internacionais.

O presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu na semana passada que os militantes não são piratas, mas violaram "as normas da lei internacional". Após as declarações, o Comitê de Investigação informou que as acusações poderiam ser reduzidas durante a investigação.

Contudo, um porta-voz do Kremlin advertiu na quarta-feira à noite que Putin expressou "sua opinião pessoal", mas que ele "não é nem investigador, nem procurador, nem juiz, nem advogado". De acordo com Alexander Morozov, chefe de redação do site Rousski Journal, "a severidade das acusações está relacionada com o fato do Kremlin estar convencido que, por trás das ações do Greenpeace, se desenvolve um 'complô mundial'". "As autoridades russas acreditam que não se trata de associações civis, e sim de artimanhas da CIA, que é um 'comando'", declarou.

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