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Japão decreta estado de emergência em segunda usina nuclear

Medida foi adotada na instalação de Onagawa. Veja fotos

Idosos esperam por donativos
Idosos esperam por donativos Foto : Philippe Lopez / AFP / CP
As autoridades japonesas decretaram neste domingo estado de emergência numa segunda usina nuclear. Desta vez, a medida foi adotada na instalação de Onagawa, no nordeste do país. O local também foi afetado pelo forte terremoto de sexta-feira, anunciou neste domingo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Os três reatores da planta de Onagawa "estão sob controle", segundo as autoridades japonesas. De acordo com a regulamentação nipônica, "o alerta foi declarado depois dos níveis de radioatividade registrados superarem os níveis autorizados na zona próxima à central", explicou a AIEA. "As autoridades japonesas tentam determinar qual é a fonte das radiações", acrescentou a agência.

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Mais cedo, o governo japonês advertiu que existe novo risco de uma segunda explosão na central nuclear de Fukushima, devido a um acúmulo de hidrogênio no reator número 3.A usina nuclear, danificada pelo terremoto de sexta-feira, já havia sofrido uma explosão no sábado.

No entanto, segundo o porta-voz do governo, Yukio Edano, "nada podemos confirmar ainda. Apenas supomos que ocorreu um derretimento, mas as medidas já estão sendo tomadas". Segundo Edano, a explosão ocorrida sábado no nível do reator número 1 também pode ter sido causada por um acúmulo de hidrogênio na parte superior do prédio onde fica o reator. E garantiu que já estão sendo tomadas todas as providências para evitar uma segunda explosão.

Engenheiros tentaram, sem conseguir, resfriar o centro do reator com água do mar, mas acreditam que o concreto em volta é forte o bastante para aguentar uma explosão. Até agora, 170 mil pessoas foram retiradas das áreas próximas à usina.

Especialistas do EUA temem um novo Chernobyl


Para especialistas norte-americanos em energia atômica, utilizar água do mar para esfriar um reator nuclear como estão fazendo os japoneses em Fukushima é "ato de desespero" que evoca a catástrofe de Chernobyl. Vários técnicos preveem que o acidente nuclear possa afetar a reativação deste setor energético em vários países.

"A situação tornou-se tão crítica que não têm mais, ao que parece, a capacidade de fazer ingressar água doce para resfriar o reator e estabilizá-lo, e agora, como recurso último e extremo, recorrem à agua do mar", disse Robert Alvarez, especialista em desarmamento nuclear do Instituto de Estudos Políticos de Washington.

O que acontece atualmente na central é uma perda total de alimentação dos sistemas de resfriamento, exterior e interior (assegurada neste caso por geradores a diesel). Esta falha total "é considerada extremamente improvável, mas é um tema de grande preocupação há décadas", explicou Ken Bergeron, físico que trabalha com simulações de acidentes em reatores. "Estamos num terreno desconhecido", precisou.

Os reatores de Fukushima foram paralisados, mas seu centro pode fundir-se se não for resfriado e começaria a fluir para o fundo do cilindro, o recinto de confinamento. "A estrutura de confinamento nesta central é certamente mais sólida que a de Chernobyl, mas muito menos que a de Three Mile Island, e só o futuro dirá" o que pode acontecer, disse Bergeron.

"No momento, estamos diante de situação semelhante à de Chernobyl, onde foi tentado derramar areia e cimento" para cobrir o reator em fusão, explicou Peter Bradford, ex-diretor da Comissão de Vigilância Nuclear americana. "Se isto continuar, se não for controlado, vamos passar para uma fusão parcial do centro (do reator) a uma fusão completa. Será um desastre total", disse por sua vez Joseph Cirincione, chefe da Ploughshares Fund, em entrevista ao canal CNN.

Cirincione reprovou às autoridades japonesas o fato de oferecerem informações parciais e contraditórias sobre a situação na central de Fukushima. A presença de césio na atmosfera depois de a central ter lançado o vapor excedente indica que uma fusão parcial está em curso, segundo o especialista.

Para Bradford, esta situação representa "um grave revés para o pretendido relançamento" do setor nuclear em vários países. "A imagem de uma central nuclear explodindo diante de seus olhos na televisão é um prelúdio", destacou.

Mas, para o porta-voz da Associação nuclear mundial, Ian Hore-Lacy, os riscos de fusão ou de explosão do reator "diminuem à medida que o tempo passa e que o combustível nuclear esfria".

Para premiê japonês, situação é grave

Hoje, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, declarou que a situação ainda é muito grave na usina nuclear de Fukushima 1. Em seu pronunciamento, o prêmio disse ainda que o país vive sua mais grave crise desde a Segunda Guerra Mundial. Além do risco de novas explosões, o Japão enfrenta cortes de eletricidade em grande escala, que acarretaram a paralisação de várias usinas nucleares. "Considero a situação atual, de certa forma, como a mais grave crise que enfrentamos nos últimos 65 anos", disse.


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