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Entre a última sexta-feira - quando um terremoto de 9 graus seguido de um tsunami deixou 15 mil desaparecidos, cerca de 1,8 mil mortos e danificou uma usina nuclear - e esta manhã, já foram registrados 249 tremores de mais de 5 graus de magnitude. A maioria deles (118) na própria sexta-feira. Em comparação, na véspera da tragédia, houve apenas cinco ocorrências. A lista é muito maior quando considerados os tremores de menor intensidade.
Réplicas
Segundo o chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UNB), Lucas Vieira Barros, um tremor de magnitude 5 é algo moderado, mas que, dependendo da localização de seu epicentro, pode produzir graves danos. Ainda segundo Barros, os abalos secundários, ou réplicas, são esperados e devem diminuir aos poucos, já que as placas rochosas que formam a crosta terrestre tendem a se acomodar em um novo ponto de equilíbrio. De acordo Barros, isso reduz as chances de que um novo tremor de igual intensidade ocorra nos próximos dias.
“Esses abalos são resultado da acomodação das placas tectônicas que continuam deslizando. Quando a placa se quebra para se acomodar é liberada energia na forma de um novo tremor, cuja intensidade tende a diminuir com o tempo, embora seja impossível dizer quanto tempo isso ainda vai acontecer. O sismo do Chile (no início de 2010) continua produzindo réplicas”, explicou.
De acordo com Barros, elas, em tese, podem atingir uma magnitude até 1,2 grau menor que o sismo principal. Portanto, segundo ele, no Japão seria possível a ocorrência de um novo terremoto de até 7,6 graus de magnitude, “embora isso seja pouco provável”, pondera. “Dificilmente isso vai acontecer no mesmo local porque as forças que poderiam liberar a energia necessária para que isso ocorra já foram liberadas. Se um outro terremoto de magnitude semelhante vier a acontecer, será em outro local.”
Vítimas
O número de mortos e feridos no terremoto seguido de tsunami deve continuar a crescer. Só na província de Miyagi, uma das mais atingidas, estima-se que mais de 10 mil pessoas morreram, segundo informações do serviço em português da emissora pública japonesa NHK.
As autoridades da província confirmaram 785 mortes em Higashimatsushima, Kesennuma e Sendai. Na cidade litorânea de Minamisanriku, em Miyagi, mais da metade da população de 17 mil habitantes permanece desaparecida. A maioria das casas e prédios da cidade foi levada pela força das ondas gigantes. Em Sendai, de 200 a 300 corpos foram encontrados em uma praia, vítimas do tsunami.