O ex-presidente americano Jimmy Carter anunciou que começará tratamento de radiação nesta quinta-feira, depois que foram detectados tumores cancerígenos no cérebro. "Fizeram uma ressonância magnética e encontraram quatro pontos de melanoma em meu cérebro", afirmou o ex-presidente e Prêmio Nobel da Paz de 90 anos à imprensa. Ele também disse estar bem e tranquilo. "Receberei meu primeiro tratamento de radiação esta tarde", disse Carter.
O ex-presidente, que esteve à frente da Casa Branca de 1977 a 1981, indicou que é provável que os médicos detectem a presença de câncer em outras partes de seu corpo, além do cérebro. "Eu estou muito bem. Não tenho dor ou fraqueza", afirmou ainda. Segundo ele, ao receber o diagnóstico, achou que sua vida havia chegado ao fim, mas acabou descobrindo que se sentia tranquilo. "Tive uma vida maravilhosa. Tenho milhares de amigos e tive uma vida apaixonante, arriscada e gratificante", afirmou.
Carter anunciou na semana passada que tinha câncer ao informar sobre a descoberta de uma pequena massa no fígado. Na ocasião, declarou que uma cirurgia recente para remover uma pequena massa no fígado "revelou que tenho câncer e que agora está em outras partes do meu corpo", disse, acrescentando que posteriormente informaria mais detalhes de sua condição de saúde. Suas duas irmãs, seu irmão e seu pai morreram de câncer no pâncreas.
Desde que deixou a Presidência, Carter se manteve ativo, criando em 1982 o Centro Carter, uma Organização não-governamental de defesa dos direitos humanos, e dirigindo várias missões de observação eleitoral. No final de abril e no começo de maio, por exemplo, viajou a Moscou e em seguida aos territórios palestinos e a Israel. Por motivos de saúde, em meados de maio deste ano voltou antes do previsto da Guiana, onde estava para observar as eleições gerais.
O democrata Jimmy Carter, 39º presidente americano, sucedeu ao republicano Gerald Ford e perdeu as eleições presidenciais em 1980 para outro republicano, Ronald Reagan. Sua Presidência é conhecida, sobretudo, pela crise dos reféns no Irã, em 1979, durante a qual 52 americanos foram retidos por 444 dias na embaixada dos Estados Unidos em Teerã. Seu fracasso em assegurar a libertação dos reféns contribuiu para sua derrota ante Reagan, quando se candidatou à reeleição.
Sua reputação é melhor hoje do que quando estava no poder. Os acordos de Camp David, assinados em 1978 entre o Egito e Israel, sob a mediação de Carter, são reconhecidos atualmente como uma grande vitória diplomática. Durante seu governo, os Estados Unidos prometeram a entrega a mãos panamenhas do Canal do Panamá, o que finalmente ocorreu em 1999.
Ganhador do prêmio Nobel da Paz em 2002 por seus esforços a favor da justiça econômica e social, também praticou uma aproximação com o regime de Fidel Castro, em Cuba, ao acordar, em 1977, a reabertura das sedes diplomáticas na forma de Seção de Interesses.
Carter está entre os quatro ex-presidentes americanos ainda vivos, ao lado de George Bush pai, George W. Bush (filho) e Bill Clinton.
Jimmy Carter será submetido a radiação por tumores no cérebro
Ex-presidente americado diz estar bem e tranquilo