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Jornal turco publica capa da Charlie Hebdo com charge de Maomé

Polícia turca mobilizou grande dispositivo de segurança diante da sede do jornal em Ancara

Cumhuriyet sofreu nos últimos anos diversos atentados e muitos de seus jornalistas foram detidos
Cumhuriyet sofreu nos últimos anos diversos atentados e muitos de seus jornalistas foram detidos Foto : Bulent Kilic / AFP / CP
O jornal opositor turco Cumhuriyet publicou nesta quarta-feira a capa com uma charge do profeta Maomé do primeiro número da revista satírica francesa Charlie Hebdo lançado após o atentado da semana passada.

Foram publicadas quatro páginas traduzidas ao turco, integradas em um caderno central do jornal, que inclui os artigos e caricaturas mais importantes do número desta quarta-feira.

Entre os desenhos figura a capa do chargista Luz, que mostra o profeta Maomé com um cartaz com a frase "Je suis Charlie", o slogan dos milhares de manifestantes que marcharam na França e no exterior para condenar os atentados da semana passada, que provocaram a morte de 17 pessoas em três dias.

Em um breve comentário, o editorialista político do Cumhuriyet, Hikmet Cetinkaya, descreve sobriamente a charge. "Repito mais uma vez, o terrorismo é um crime contra a humanidade, seja qual for sua origem", escreve Cetinkaya. "Por isso o profeta tem em sua mão um cartaz que diz 'Eu sou Charlie'", acrescenta o editorialista.

A publicação deste caderno especial, anunciada na véspera, foi fortemente vigiada pelo governo islamita-conservador turco, que no passado denunciou as provocações da revista francesa. O jornal turco anunciou em seu site que a polícia havia se dirigido a sua gráfica em Istambul para examinar o conteúdo do caderno.

A polícia turca mobilizou nesta quarta-feira um grande dispositivo de segurança diante da sede do jornal em Ancara, por medo de manifestações hostis. A direção do Cumhuriyet havia decidido em um primeiro momento publicar todo o número da Charlie Hebdo, mas após uma discussão a redação decidiu limitá-la a quatro páginas.

O Cumhuriyet, forte opositor ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan, sofreu nos últimos anos diversos atentados e muitos de seus jornalistas foram detidos.