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Segundo o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ, em inglês), com sede em Nova Iorque, Ahmed Mohamed Mahmud é o primeiro jornalista a perder a vida desde que começou a revolta popular contra o regime do presidente egípcio Hosni Mubarak, em 25 de janeiro.
O repórter, que trabalhava para o jornal Al Taawun, editado pela fundação pública Al Ahram, levou um tiro na última semana, quando tirava fotografias a partir de seu apartamento, situado perto da praça Tahrir, no Cairo, epicentro das manifestações antigovernamentais.
Cerco à imprensa
O CPJ registrou em uma semana pelo menos 101 ataques diretos a jornalistas ou aos escritórios dos meios de comunicação. Um hotel com jornalistas estrangeiros chegou a ser cercado por manifestantes. Muitos jornalistas, inclusive brasileiros, foram atacados, detidos ou intimidados na quarta e quinta-feira.
"É impressionante que o governo siga enviando vândalos e policiais à paisana para atacar jornalistas e saquear os escritórios dos meios de comunicação", declarou Mohamed Abdel Dayem, coordenador do CPJ para o Oriente Médio e o Norte da África.
O ministério de Informação egípcio afirmou nesta sexta-feira à noite que as afirmações de que as autoridades estavam por trás dos ataques a jornalistas eram "falsas".
Associação internacional protesta
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) exigiu nesta sexta-feira das autoridades egípcias respeito aos tratados internacionais de proteção e garantias de trabalho dos jornalistas, ante episódios de violência, censura e agressões no país. Segundo o presidente da SIP, Gonzalo Marroquín, a organização recebeu denúncias da imprensa das Américas sobre situações que afetam seus profissionais, em meio à revolta popular no Egito.
"É dever das autoridades fazer cumprir as disposições do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, que demandam normas humanitárias de proteção e de não agressão a profissionais dos meios de comunicação e pessoal associado", afirmou Marroquín.
Jornalistas finlandeses deixam Egito
A maioria dos jornalistas finlandeses, inclusive fotógrafos, que cobriam os eventos no Egito, começou a deixar o país nesta sexta-feira, enquanto que vários meios de comunicação suecos estudam a possibilidade de repatriar seus enviados especiais.
"A atmosfera está ficando cada vez pior e os jornalistas estão virando alvo", explicou um fotógrafo do jornal finlandês Iltalehti, John Palmen, à agência finlandesa STT."A situação se inverteu de tal forma que nos tornamos o inimigo número 1", acrescentou.
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