Um jornalista mexicano morreu espancado no estado de Tamaulipas, na fronteira com os Estados Unidos, elevando a ao menos cinco o número de comunicadores assassinados no México neste ano, informou a Procuradoria estadual depois de encontrar o corpo, nesta terça-feira. A vítima era casada e tinha dois filhos.
Héctor González Antonio, “que colaborava como correspondente do jornal nacional Excélsior e meios de comunicação locais, morreu espancado”, reportou a instituição. Um colaborador da agência de notícias AFP e amigo do jornalista morto disse que ele havia desaparecido há dois dias.
O corpo foi encontrado “esta manhã em uma rua da colônia Estrella” de Ciudad Victoria, capital de Tamaulipas, uma das regiões mais violentas do país pelo confronto entre traficantes de drogas, segundo a Procuradoria. “Ele estava desaparecido desde ontem com tudo e seu veículo, que não sabemos se foi localizado”, disse Balbina Flores, representante de Repórteres sem Fronteira, que pediu às autoridades mexicanas uma investigação de fundo e proteção para a família de González Antonio.
Tamaulipas é “um dos buracos negros da liberdade de imprensa, razão pela qual há alta probabilidade de que o crime tenha a ver com seu trabalho jornalístico”, acrescentou.
Uma das últimas notícias reportadas pelo jornalista, de 42 anos, para o jornal Excélsior foi o assassinato de seu colega Carlos Domínguez, executado no município de Nuevo Laredo em janeiro passado. Também cobriu uma marcha de mães e familiares de desaparecidos ocorrida em 10 de maio, e outras informações de interesse humano.
“Ainda não sabemos quem matou Héctor González Antonio, nem o porquê”, mas é “simplesmente inaceitável”, disse à AFP Giancarlo Summa, diretor do Centro de Informação da ONU para o México. O México, prosseguiu Summa, “é o país mais perigoso do mundo para os jornalistas, depois do Afeganistão. Exigimos que as autoridades esclareçam o mais rapidamente possível o que aconteceu e que prendam os responsáveis. A impunidade deve acabar”, cobrou.
Jornalista mexicano morre espancado na fronteira com EUA
Apenas em 2018, cinco profissionais de comunicação foram mortos no país