"Obviamente pensei nisso, e muito. Mas pensava em momentos de tédio, de solidão. Sempre tentava racionalizar tudo. Desde o primeiro momento que me sequestraram era muito claro que me entregariam, que eu sairia dali, que eu era jornalista independente", salientou Langlois. Aos 35 anos, o correspondente da rede de televisão France 24 caiu em poder das Farc em 28 de abril em Caquetá, quando a patrulha com a qual se deslocava para fazer uma reportagem sobre operações antidrogas foi atacada por guerrilheiros.
No combate com as Farc, quatro militares morreram e Langlois ficou ferido no braço, o que o levou a se entregar identificando-se como jornalista e civil desarmado. O repórter insistiu que, diferentemente de outros reféns, nunca foi amarrado, mas confessou que em algumas ocasiões temeu que a guerrilha o usasse como revanche da operação Jaque, com a qual as forças militares da Colômbia resgataram Betancourt em 2008, três americanos e 11 policiais e militares colombianos reféns das Farc.
As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) comprometeram-se em fevereiro passado a acabar com os sequestros de civis. Fundadas em 1964, as Farc são a principal guerrilha da Colômbia, com cerca de 9,2 mil combatentes atualmente, pelos cálculos do Ministério da Defesa colombiano.