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Juíza dos EUA diz que Assange é um “homem livre” após acordo de admissão de culpa

Ativista digital estava preso por vazamento de documentos confidenciais norte-americanos

Assange deve seguir para a Austrália
Assange deve seguir para a Austrália Foto : Yuichi Yamazaki / AFP / CP

Uma juíza dos Estados Unidos declarou nesta quarta-feira (horário local) que Julian Assange é um “homem livre”. Ele firmou um acordo que põe fim à longa saga jurídica e midiática para o fundador do WikiLeaks, processado por ter publicado centenas de milhares de documentos confidenciais norte-americanos.

"Com este julgamento, parece que você poderá sair desta sala de audiência como um homem livre”, declarou a juíza Ramona V. Manglona após o ativista ter se declarado culpado no tribunal federal de Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte, um território dos EUA no Pacífico.

O fundador do WikiLeaks, de 52 anos, chegou ao tribunal de Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte, vestido com um terno preto e gravata ocre. 'Sou culpado da informação', disse Assange no tribunal. Em seguida, ele brincou com o juiz dizendo que sua satisfação com o acordo 'depende do resultado da audiência'. O WikiLeaks anunciou em sua página na internet que Assange viajará ainda nesta quarta-feira para Canberra, capital da Austrália, após a audiência em Saipan.

'Diplomacia secreta'

Assange pode ser condenado a 62 meses de prisão. Por já ter cumprido esse período de prisão preventiva em Londres, a expectativa é que ele possa seguir em liberdade para a Austrália. Assange 'será um homem livre depois que o acordo for ratificado pelo juiz' na quarta-feira, explicou à BBC sua esposa e mãe de seus dois filhos, Stella Assange.

O acordo implica que seu marido se declare culpado de uma única acusação, que 'diz respeito à obtenção e divulgação de informações sobre a defesa nacional', explicou. Sua mãe, Christine Assange, disse estar agradecida pelo fim do 'calvário' do filho. 'Isso mostra a importância e o poder da diplomacia secreta', afirmou.

O ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, um dos advogados de Assange, comemorou que ele 'possa, finalmente, ser um homem livre, após quase 14 anos de luta privado de liberdade, nas condições mais adversas'.

A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direito Humanos, Elizabeth Throssel, celebrou a libertação de Assange e 'os avanços significativos para uma solução definitiva do caso', que 'gerou uma série de preocupações relacionadas aos direitos humanos', acrescentou.

'Não deveria ter sido privado da liberdade por nenhum dia por ter publicado informações de interesse público', disse Rebecca Vincent, diretora da ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou 'uma vitória democrática e da luta pela liberdade de imprensa'. 'O mundo está um pouco melhor e menos injusto hoje', acrescentou. Stella Assange fez um apelo por uma campanha de financiamento para pagar os 520 mil dólares que seu marido deve reembolsar ao governo australiano depois de fretar o voo entre Londres e a Austrália.