Um juiz federal da Flórida, Steven Merryday, anulou nesta sexta-feira (19) o processo de difamação de US$ 15 bilhões movido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, contra o jornal The New York Times. Merryday considerou a ação, de 85 páginas, "excessivamente longa" e repleta de trechos "tediosos e onerosos" sem relevância jurídica. Trump recebeu um prazo de 28 dias para reapresentar a queixa, que deverá ser limitada a 40 páginas.
O juiz, indicado por George W. Bush, destacou que a acusação de difamação só aparecia na página 80, e reforçou que "uma queixa não é um megafone de relações públicas ou um palanque para um comício político". Merryday também afirmou que o documento extrapolava os limites da liberdade de expressão concedida a advogados.
Acusação de "narrativa sem fatos"
O processo de Trump citava quatro jornalistas do Times, além de um livro e três artigos publicados antes da última eleição, incluindo reportagens de Russ Buettner e Susanne Craig sobre as finanças do presidente. Trump acusava os repórteres de "maliciosamente venderem uma narrativa sem fatos" sobre sua ascensão à fama.
O New York Times classificou a ação como "infundada" e uma tentativa de "inibir o jornalismo independente". O porta-voz Charlie Stadtlander afirmou que a queixa era um "documento político em vez de uma petição jurídica séria". Trump já havia processado outras grandes emissoras, como a ABC e a CBS, e, mais recentemente, o Wall Street Journal e Rupert Murdoch.