A Corte "suspendeu a convocação da sessão plenária do Parlamento (catalão) de segunda-feira", disse a porta-voz, referindo-se à reunião na qual o presidente regional catalão, Carles Puigdemont, validaria os resultados do referendo de autodeterminação de 1º de outubro.
Na quarta-feira, uma fonte do governo catalão disse à AFP que "dependendo do desenvolvimento da sessão plenária, a declaração de independência poderia acontecer", sem confirmar categoricamente a possibilidade. Em um comunicado, o Tribunal Constitucional explicou que a suspensão se dava pela admissão de um trâmite apresentado pelos socialistas catalães contra a convocação da sessão plenária.
No texto, o Tribunal declara "radicalmente nula e sem valor" qualquer ação que "viole a suspensão acordada". Da mesma forma, adverte a presidente do Parlamento da Catalunha, a separatista Carme Forcadell, e outros membros dessa Casa de que estarão expostos à responsabilidade criminal, "caso não respeitem essa decisão".
Não há certezas sobre a realização, ou não, da sessão plenária, uma vez que os líderes separatistas têm ignorado o Tribunal Constitucional sistematicamente nos últimos meses. O referendo do último domingo foi proibido e suspenso de forma cautelar pelo Tribunal Constitucional espanhol. Isso não impediu sua realização, apesar da violência policial.
Em 6 de setembro passado, a maioria separatista do Parlamento catalão aprovou uma lei que permitiu o referendo de 1º de outubro, afirmando que prevalecia "hierarquicamente sobre todas as regras com as quais possa entrar em conflito" - o que inclui a Constituição espanhola. De acordo com o governo catalão, nessa consulta - realizada sem as garantias habituais, entre elas, a de um conselho eleitoral -, houve uma participação eleitoral de 42,3%. Pelo menos 2,02 milhões de pessoas votaram a favor da separação do reino da Espanha, de um total de 5,3 milhões de eleitores convocados.