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Justiça francesa decide investigar diretora do FMI

Christine Lagarde é suspeita de abuso de autoridade quando era ministra das Finanças

Justiça francesa decide investigar diretora do FMI
Justiça francesa decide investigar diretora do FMI Foto : Martin Bureau / AFP / CP
A justiça francesa decidiu nesta quinta-feira abrir uma investigação contra a nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, por seu papel em um caso vinculado com o empresário Bernard Tapie.

A recomendação de iniciar uma investigação foi feita pela Corte de Justiça da República (CJR), única instância habilitada na França a julgar ministros e ex-ministros por fatos cometidos no exercício de suas funções. A investigação envolve decisões tomadas por Christine Lagarde quando era ministra das Finanças da França.

A comissão de investigações da CJR emitiu "um parecer favorável a uma medida de instrução relativa a Lagarde", declarou aos jornalistas o presidente Gérard Palisse. A CJR deveria ter apresentado a decisão em 8 de julho, mas adiou seu veredicto em um mês por razões de procedimento.

Segundo o Ministério Público, Christine Lagarde pode ser considerada culpada de abuso de autoridade quando era ministra das Finanças durante a mediação de um complexo litígio de negócios entre o empresário Bernard Tapie e uma instituição pública que administrava os ativos podres do banco Crédit Lyonnais, salvo da falência nos anos 1990 pelo Estado francês.

Para pôr fim a longos procedimentos e resolver de uma vez por todas essa velha disputa relacionada à venda pelo Crédit Lyonnais do grupo Adidas, ex-propriedade do empresário, Christine Lagarde escolheu uma justiça arbitral, ou seja, uma justiça particular.

O julgamento feito em 2008 por essa instância foi favorável a Bernard Tapie, que embolsou pessoalmente pelo menos 200 milhões de euros provenientes de fundos públicos.

A abertura desta investigação "não é de maneira alguma incompatível" com suas "funções atuais de diretora-geral" do Fundo Monetário Internacional (FMI), comentou o advogado, Yves Repiquet.

"Christine Lagarde foi informada de que o conselho de administração do FMI será informado desta eventualidade para que fosse determinada em perfeito conhecimento" naépoca de sua nomeação em 28 de junho, acrescentou o advogado que se disse convencido de que a investigação não terá consequências para a sua cliente.

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